EFEQuito

Carlos Póveda, advogado equatoriano de Julian Assange, disse esta quinta-feira que teme pela vida do ativista se ele for extraditado para os Estados Unidos, após a ordem de captura e extradição apresentada contra ele no Reino Unido e o cancelamento da sua condição de asilado.

Em declarações feitas esta quinta-feira na Assembleia Nacional do Equador, durante uma sessão à qual o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Valencia, compareceu para dar explicações sobre o caso Assange, Póveda afirmou que pediu a intervenção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) contra o Estado equatoriano.

"Estamos muito preocupados com as decisões do governo equatoriano", disse Póveda, que faz parte da equipa internacional de advogados, que é liderada pelo ex-juiz espanhol Baltasar Garzón.

O Equador suspendeu esta quinta-feira o asilo que tinha concedido ao ativista australiano em 2012 por violação do protocolo de convivência na embaixada e também revogou a nacionalidade equatoriana que Assange tinha desde dezembro de 2017.

"Nós já tínhamos advertido anteriormente, pelo que apresentamos no sábado a ação de proteção de Julian Assange", afirmou o advogado, ao referir-se a um processo contra o Equador que apresentou na CIDH para que esta impedisse qualquer decisão nesse sentido.

"Neste momento, a Comissão Interamericana está a analisar a reabertura (do caso) diante de um evento consumado que é a saída de Assange da embaixada equatoriana em Londres", assinalou Póveda.

A equipa de defesa de Assange também tinha exigido no fim de semana passado que o Equador "confirmasse" ou "negasse" se estava "a rever o procedimento de asilo", mas não obteve resposta ao seu requerimento.

"Até agora ainda não foi entregue a resolução sobre o cancelamento do asilo e também não temos a resolução da revogação da nacionalidade equatoriana para Assange", explicou o advogado ao queixar-se que não obteve permissão para "fazer a devida defesa" do ativista.