EFELisboa

O socialista António Costa abriu esta segunda-feira, durante a reta final para as eleições legislativas, a porta ao diálogo e aos pactos com a esquerda, ao reconhecer que o seu partido irá "com certeza" ter que falar "com todos".

"Nunca recusei conversar com o Bloco de Esquerda", afirmou hoje o candidato socialista e primeiro-ministro, ao mesmo tempo em que assegurou que o PS nunca teve "nenhuma porta fechada ao Bloco".

As declarações de Costa acontecem depois da candidata do BE, Catarina Martins, ter este domingo convidado o líder socialista a sentar-se no dia seguinte às eleições para "trabalhar numa agenda de medidas e metas" para a legislatura, com prioridades em temas como saúde, trabalho e clima.

Costa segurou hoje na mão estendida por Martins, apesar de ter antes descartado publicamente retomar a "geringonça" depois do chumbo parlamentar ao Orçamento de 2022 que deixou claro a solidão do seu Governo e acabou por levar a eleições antecipadas.

Durante o fim de semana, António Costa chegou a exigir a Catarina Martins "desculpas" por romper a "unidade da esquerda", e durante a campanha anunciou que iria procurar o animalista PAN para uma nova aliança caso fosse necessário, dado que não podia confiar em comunistas nem no Bloco.

O primeiro-ministro tem estado empenhado nos últimos dias num pedido de maioria absoluta para o PS, mas a sua mensagem parece não estar a ter o impacto desejado, a julgar pela sua descida nas sondagens.

O PS continua como favorito, mas o social-democrata PSD encurtou distâncias, e algumas sondagens falam hoje de um "empate técnico".