EFELisboa

A crise política provocada pela rutura da aliança da esquerda deixou o Governo sozinho e em minoria e colocou Portugal perto de eleições antecipadas, um cenário que não é tão raro num país que já viveu sete antecipações desse tipo na sua última etapa democrática.

Quatro deles foram nas décadas de 70 e 80, quando a democracia portuguesa, instaurada em 1974 após a caída da ditadura de António de Oliveira Salazar, era ainda jovem, mas os outros três casos foram já em século XXI, o último há apenas uma década.

Exceto numa ocasião, as eleições antecipadas determinaram uma mudança de índole política no Governo.

1979: CINCO GOVERNOS EM TRÊS ANOS

Depois de três anos e meio nos quais houve cinco governos, dois do socialista Mário Soares e outros três de iniciativa presidencial, o então chefe de Estado, António Ramalho Eanes, convocou eleições antecipadas.

Foram vencidas por uma coligação conservadora liderada por Francisco Sá Carneiro, do PSD (centro-direita).

1983: BLOCO CENTRAL

Francisco Pinto Balsemão, que substituiu Sá Carneiro à frente do Governo conservador depois da sua morte num polémico acidente de avião, pediu a demissão perante a instabilidade vivida pela coligação de direita.

Soares venceu nas urnas, mas sem uma maioria clara, e acabou por formar o único Governo da história em que socialistas e PSD se aliaram, o chamado Bloco Central.

1985: A CHEGADA DE CAVACO SILVA

O idílio entre os dois grandes partidos durou pouco, o PSD rompeu o Bloco Central e Soares demitiu-se como primeiro-ministro, pelo que dois anos depois voltaram a ser convocadas eleições antecipadas.

O PSD proclamou-se vencedor com Aníbal Cavaco Silva à frente, que se tornaria no primeiro-ministro com mais tempo no cargo -governou dez anos, embora com várias eleições pelo meio- e depois em presidente da República.

1987: PRIMEIRA MAIORIA ABSOLUTA

O primeiro Executivo de Cavaco Silva não tinha maioria absoluta no Parlamento e foi derrubado dois anos depois por uma moção de censura do Partido Renovador Democrático, que levou a novas eleições.

Dar urnas veio uma surpresa e, longe de castigar o PSD, deixaram-lhe com a primeira maioria absoluta da história de Portugal, que abriu caminho a mais de uma década de governos estáveis de ambos lados políticos.

2002: ELEIÇÕES DEPOIS DE DERROTA MUNICIPAL

Já no século XXI, a derrota dos socialistas nas eleições municipais de 2001 levou o primeiro-ministro António Guterres a apresentar a sua demissão e à realização de eleições antecipadas.

A votação determinou uma mudança da esquerda para a direita e deu a vitória ao PSD de José Manuel Durão Barroso, embora sem maioria absoluta.

2005: PRESIDENTE AFASTA PRIMEIRO-MINISTRO

Durão Barroso demitiu-se em 2004 para presidir a Comissão Europeia e foi substituído no cargo por Pedro Santana Lopes.

Depois de apenas quatro meses à frente de um Governo marcado pela instabilidade e várias remodelações, o então presidente, o socialista Jorge Sampaio, decidiu afastá-lo e convocar eleições antecipadas.

As eleições mudaram novamente a cor política do Governo, que passou a ser liderado pelo socialista José Sócrates com maioria absoluta.

2011: O ANO DO RESGATE

Sócrates ganhou umas segundas eleições em 2009, mas a nova legislatura ficou marcada pela crise financeira que arrasou o país e demitiu-se depois de não conseguir aprovar o seu último plano de austeridade.

Com as eleições já convocadas, o seu Governo solicitou um resgate à troika, assinado também pelas forças da direita.

Sócrates apresentou-se às legislativas, mas foi derrotado pelo PSD de Pedro Passos Coelho.