EFEMadrid

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu esta segunda-feira a todos os países que tenham mais ambição em reduzir as emissões poluentes num momento "bastante crítico" para combater as mudanças climáticas.

Na abertura da 25ª edição da Cimeira do Clima (COP25), em Madrid, Guterres disse que decisões importantes devem ser tomadas agora para limitar as emissões de gases de efeito de estufa.

Guterres também alertou que os sinais das alterações climáticas são "inconfundíveis", como que os últimos cinco anos foram os mais quentes no nível global, já que existem registos ou que a concentração de CO2 na atmosfera atingiu um recorde histórico, como publicou no ano passado a Organização Meteorológica Internacional.

O secretário disse que "todos os grandes emissores devem fazer mais", numa aparente alusão a países como EUA, China e Índia, tanto pela sua responsabilidade nas emissões globais, como pelo fato de terem enviado delegações de segunda linha para a cimeira de Madrid.

"Sem o total comprometimento dos grandes emissores, todos os nossos esforços serão completamente comprometidos", afirmou Guterres.

Portanto, ressaltou que "precisamos de uma mudança rápida e profunda" na maneira como a humanidade faz negócios, gera energia, constrói cidades, move e alimenta, eliminando o "nosso vício" em carbono.

"Se não mudarmos urgentemente o nosso modo de vida, colocamos em risco a própria vida", disse.

Guterres pediu especialmente para abandonar os combustíveis fósseis e que faça o regulamento dos mercados de carbono no chamado Artigo 6, uma das questões pendentes da última cimeira climática, realizada no ano passado, em Katowice (Polónia).

Como ponto positivo, Guterres observou que cerca de 70 países já anunciaram a sua intenção de propor contribuições nacionais mais ambiciosas contra as mudanças climáticas até 2020 e que 65 países e algumas economias importantes no nível subnacional se comprometeram a trabalhar para que as emissões sejam nulas até 2050.

O secretário-geral da ONU enfatizou a necessidade de garantir financiamento de pelo menos 100 mil milhões de dólares em financiamento anual para mitigação e adaptação às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento.