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O presidente da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou esta quarta-feira que mais deputados opositores vão aumentar a lista dos 14 que já perderam a sua imunidade parlamentar por apoiar uma fracassada revolta militar contra o governo de Nicolás Maduro.

"Ontem disseram-me que já entraram outros deputados nesta lista dos quais é preciso suspender a imunidade parlamentar", disse Cabello, número dois do chavismo, durante o seu programa semanal de televisão, transmitido pela emissora estatal VTV.

Nesse sentido, o governista ressaltou que na Venezuela "não vai haver impunidade" depois do levante do último dia 30 de abril liderado pelo presidente do parlamento, Juan Guaidó, que é reconhecido como presidente interino do país por mais de 50 governos.

"Como nós não matamos, não perseguimos e não fazemos desaparecer ninguém, então a Justiça tem que funcionar", acrescentou.

A ANC, integrada apenas por governistas e não reconhecida por várias nações, suspendeu a imunidade parlamentar de 14 deputados, atribuindo-se competências exclusivas do parlamento, que é controlado pela oposição.

O órgão chavista, liderado por Cabello, atua com o apoio do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que considera que os 14 deputados opositores penalizados até agora agiram de maneira flagrante no levante e, portanto, não merecem pré-julgamento de mérito como deputados, mas sim serem processados por tribunais normais.

Entre os crimes pelos quais os opositores são acusados estão o de traição à pátria, conspiração, rebelião civil e instigação à desobediência e à insurreição.

Nas últimas semanas, Cabello advertiu sobre a retirada de imunidades parlamentares que acabaram por cumprir-se, sempre com o sinal verde da Justiça e o apoio unânime da ANC.

Além disso, o dirigente chavista assegurou que o primeiro vice-presidente do parlamento, Édgar Zambrano, não está desaparecido, como denuncia a sua defesa, mas está "bem preso" e "vai continuar lá" enquanto avança a investigação sobre o levante.

Até agora Zambrano é o único dos 14 deputados atrás das grades, uma vez que a maioria está na clandestinidade, enquanto quatro se refugiaram em embaixadas e pelo menos um se exilou na Colômbia.