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A pandemia tem vindo a ganhar força em Espanha, com uma incidência acumulada de quase 900 casos por 100 mil habitantes, e ameaça saturar os hospitais, especialmente as unidades de cuidados intensivos, que têm atualmente uma ocupação de 40,38% com pacientes de covid-19, de acordo com dados relatados esta segunda pelo Ministério da Saúde.

Foram relatados 93.822 novos casos em território espanhol desde a última sexta-feira, elevando o total para 2.593.382 infeções desde o início da crise sanitária, enquanto o número de mortos subiu para 52.208.

Com a incidência, os hospitais espanhóis estão em situação crítica, segundo o porta-voz do Ministério, o epidemiologista Fernando Simón, que destacou ser necessário um esforço para implementar medidas de controlo e apelou à responsabilidade de cada pessoa.

MAIS RESTRIÇÕES EM TODA A ESPANHA

Com esses dados, todas as regiões espanholas esforçam-se para apertar as restrições para tentar enfraquecer a terceira vaga de contágio, e os agentes das diversas forças policiais reforçam o controlo para verificar se as medidas estão a ser respeitadas.

Assim, a Comunidade de Madrid, tradicionalmente a mais relutante a tais medidas, antecipou a partir desta segunda o recolher obrigatório para as 22h e o fecho de bares, restaurantes e estabelecimentos não essenciais às 21h. Além disso, os encontros nesses locais ficam limitados a quatro pessoas.

As medidas são ainda mais rigorosas noutras regiões, como em Valência. Com uma incidência acumulada de 1.339 casos por 100 mil habitantes e 61% de ocupação em cuidados intensivos, a região restringe os encontros em locais públicos a duas pessoas e mantém um fecho perimetral da comunidade.

UM MÊS DE VERTIGENS

O panorama que Espanha apresentou nesta segunda-feira é muito diferente de um mês atrás, quando o país começou a celebrar o Natal e em todas as regiões as limitações foram relaxadas por duas semanas.

Foi um mês de vertigens, e os números falam por si mesmos. A 24 de dezembro havia uma incidência acumulada de 262,79 casos por 100.000 habitantes, enquanto hoje é de 884,70. Depois houve 1.854.951 infeções, e esta segunda ultrapassa 2,5 milhões num país com 47,3 milhões de habitantes. O mesmo aconteceu com a quantidade de mortes, com mais 2.384.

Há um mês a situação nos hospitais também era muito diferente, com uma ocupação de 8,80% dos leitos com pacientes com covid-19, enquanto agora é de 23,94%. Mais preocupante é nos cuidados intensivos, atualmente com uma taxa de ocupação média de 40,38%, em comparação com 19,89% há um mês.

SAÍDA DO MINISTRO DA SAÚDE EM PLENA VAGA DE CONTÁGIO

Num momento em que Espanha está no auge da terceira vaga da pandemia, o ministro da Saúde, Salvador Illa, a cara do Governo durante esta crise sanitária, deixa o cargo esta terça para concorrer à presidência regional da Catalunha nas eleições de 14 de fevereiro.

Desde que a candidatura foi divulgada, todas as forças políticas da oposição pediram a sua saída, considerando que se aproveitou da posição para impulsionar a carreira política. Porém, Illa adiou até ao último momento, alguns dias antes do início da campanha eleitoral.