EFERio de Janeiro

O ministro da Presidência do Brasil, Onyx Lorenzoni, disse esta quinta-feira que os países europeus que manifestaram preocupação com a multiplicação dos incêndios florestais na Amazónia aproveitam o discurso ambientalista para justificar novas restrições comerciais contra o país.

"Não podemos ser ingénuos. Os europeus aproveitam o assunto do ambiente para impor barreiras ao crescimento e ao comércio brasileiro de bens e serviços", afirmou Lorenzoni, um dos principais porta-vozes do Gabinete do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de extrema-direita, em declarações à imprensa.

O ministro da Presidência assegurou que essa estratégia foi usada no passado de cada vez que a União Europeia quis justificar barreiras a produtos brasileiros.

Lorenzoni acrescentou que os países que manifestaram preocupação com os incêndios fazem-no com base em dados não oficiais e exagerados.

"Há realmente desmatamento, mas não nos níveis e nos índices que estão a dizer. Além disso, não nos podemos esquecer que nos anos 1980, 1990 e 2000 a febre aftosa foi usada como mecanismo protecionista para travar as exportações brasileiras de carne e grão", disse.

Lorenzoni acrescentou que o Governo brasileiro esforça-se por cuidar do meio ambiente e que todos os organismos encarregados de fiscalizar o desmatamento estão a cumprir o seu papel. "Não há nenhum país no mundo com a cobertura vegetal e florestal do Brasil", disse.

O ministro defendeu a política ambiental brasileira pouco depois do presidente francês, Emmanuel Macron, descrever como "crise internacional" os incêndios que arrasam múltiplas áreas da Amazónia e adiantar que o assunto será abordado na Cimeira desta semana do G7, grupo que reúne as maiores potências mundiais, em Biarritz.

"A nossa casa arde. Literalmente. O Amazonas, o pulmão do nosso planeta que produz 20% do nosso oxigénio está a arder. É uma crise internacional. Membros do G7, vemo-nos em dois dias para falar desta urgência", escreveu o presidente francês na sua conta do Twitter.

Macron também advertiu que França vai condicionar a aprovação do acordo de livre-comércio assinado em julho passado pela União Europeia (UE) e o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) ao cumprimento de todos os compromissos ambientais.

Tal advertência foi interpretada por membros do Governo brasileiro como uma desculpa para justificar possíveis restrições comerciais ao Brasil.

Bolsonaro também falou esta quinta-feira sobre as advertências de Macron e acusou o presidente francês de usar os incêndios florestais para proveito político pessoal.

"Lamento que o presidente Macron procure instrumentalizar um assunto interno do Brasil e dos outros países amazónicos para obter benefícios políticos pessoais", disse Bolsonaro.

"A sugestão do presidente francês, que assuntos amazónicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca uma mentalidade colonial que já não acontece no século XXI", acrescentou o líder da extrema-direita brasileira.

Segundo dados divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a região amazónica registou mais de metade dos 71.497 incêndios florestais no Brasil entre janeiro e agosto deste ano, um número 83% superior ao do mesmo período de 2018.