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Cabo Verde extraditou este sábado para os Estados Unidos o empresário colombiano Álex Saab, suposto testa de ferro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmaram à Agência Efe fontes do Governo cabo-verdiano.

Saab, que estava detido em Cabo Verde desde junho de 2020 e é acusado de lavagem de dinheiro, deixou o país africano a bordo de um avião rumo aos EUA no sábado.

De acordo com as fontes, o Tribunal Constitucional de Cabo Verde, que considerou constitucional a extradição do colombiano a 7 de setembro, enviou à Procuradoria-Geral da República na quinta-feira, 14 de outubro, a ordem final do tribunal para que a extradição entrasse em vigor.

Do mesmo modo, numa carta enviada pelo Ministério da Justiça de Cabo Verde, também datada de quinta-feira, à qual a Efe teve acesso, o Governo informou a embaixada dos EUA no país africano sobre a execução da entrega de Saab e solicitou informações sobre os meios de transporte, a data e a hora da transferência.

A extradição põe fim a um longo caso que começou quando o empresário foi detido a 12 de junho de 2020, depois do seu avião ter parado para reabastecer no Aeroporto Internacional Amilcar Cabral, na ilha do Sal.

A detenção correspondia a um pedido dos EUA emitido através da Interpol, mas a defesa alegou que esse alerta foi emitido depois da detenção, motivo pelo qual apresentou um recurso contra a sua suposta inconstitucionalidade.

No entanto, esta e todas as outras tentativas jurídicas dos advogados de Saab para impedir a sua extradição falharam nos tribunais cabo-verdianos.

O sistema judicial do país africano também não deu ouvidos ao Tribunal de Justiça da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) -um bloco de países ao qual Cabo Verde pertence- quando decidiu em dezembro do ano passado que Saab devia ter acesso sem restrições a médicos especialistas da sua escolha, nem ao Comité dos Direitos Humanos da ONU, que fez o mesmo pedido em junho.

Após a detenção, a Venezuela alegou que o empresário é um cidadão venezuelano e um "agente" governamental que estava "em trânsito" em Cabo Verde, razão pela qual os advogados argumentaram que "tinha direito à inviolabilidade pessoal como enviado especial da Venezuela".

Saab, nascido na cidade colombiana de Barranquilla e de origem libanesa, está ligado a várias empresas, incluindo o Group Grand Limited (GGL), acusado de fornecer alimentos e produtos a preços inflacionados ao Governo do presidente Nicolás Maduro.

O empresário e três enteados de Maduro lucraram "centenas de milhões de dólares" com estas operações, segundo as autoridades americanas.