EFESevilha (Espanha)

O Partido Popular (PP, conservador) e Ciudadanos (Cs, liberais) assinaram esta quarta-feira um acordo de Governo na região da Andaluzia, que conta com o apoio do partido de extrema-direita Vox, que irá afastar os socialistas do poder após 36 anos à frente do executivo local.

Depois das eleições regionais do passado 2 de dezembro, nas quais os socialistas e a coligação de esquerda Adelante Andalucía não conseguiram maioria, foi aberta a possibilidade de um governo de centro-direita, integrado pelo PP e Cs.

No entanto, ambos partidos reúnem 47 cadeiras das 109 do Parlamento regional, pelo que precisam do apoio do Vox, que com doze cadeiras entrou pela primeira vez num parlamento em Espanha.

Após o acordo assinado esta quarta-feira, o líder do PP na Andaluzia, Juanma Moreno, será o presidente regional e o líder de Cs nessa região, Juan Marín, será o vice-presidente.

As negociações entre PP e Cs foram relativamente fáceis, já que ambos partidos colocaram como primeiro objetivo o afastamento dos socialistas do Governo, mas tal não aconteceu com o Vox, com quem os liberais se recusaram a dialogar e dos quais se procuraram afastar.

As negociações com o Vox foram feitas pelo PP, que o reconheceu como interlocutor logo na noite eleitoral.

O próprio Marín declarou na quarta, após a assinatura do pacto com o Partido Popular, que os acordos desse partido com o Vox "em nenhum momento se poderão vincular ao Governo da Junta nem ao pacto de 90 medidas" que PP e Cs acordaram.

Contudo, após este pacto, PP e Vox fecharam um acordo para permitir a posse de Moreno como presidente do Governo andaluz.

Para chegar a um acordo, o Vox retirou algumas das suas propostas mais polémicas, tais como a derrogação da lei de violência sexual, que provocou uma forte rejeição política e social em toda Espanha.

Ambos partidos pactuaram, entre outras medidas, evitar as decisões que possam favorecer o "efeito chamada" dos imigrantes.

A imigração foi um tema recorrente na campanha eleitoral do Vox, e entre as propostas que este partido fez ao PP durante as negociações estava a expulsão de 52.000 imigrantes irregulares.

Após a assinatura dos pactos, Moreno declarou que para chegar a acordos "todos têm que ceder algo", e defendeu que nenhum partido deve ser atacado "por ter abordagens distintas".

Por sua parte, o líder do Vox, Santiago Abascal, afirmou que o Partido Popular assume desenvolver "uma parte importante" do programa deste partido de extrema-direita.

A chegada ao poder do PP e Cs com o apoio do Vox oferece um novo cenário na política espanhola, num ano eleitoral no qual se vão realizar eleições municipais, regionais e ao Parlamento Europeu e com a possibilidade de eleições gerais.