EFE

Pequim

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, condenou esta terça-feira a "traição deplorável" dos Estados Unidos sobre a questão de Taiwan, em referência à possível chegada desta noite à ilha da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, informou o Ministério.

O comportamento do país norte-americano, previu Wang "irá prejudicar a sua credibilidade ao nível internacional".

"O princípio de 'uma só China' é um consenso da comunidade internacional" e a "base política das relações da China com outros países", disse Wang.

O princípio, segundo o qual Taiwan permaneceria sob a soberania de Pequim, é uma "linha vermelha" para o gigante asiático, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros.

O chefe da diplomacia chinesa disse que várias pessoas nos Estados Unidos estão "a desafiar a soberania da China na questão de Taiwan", algo que "nunca será aceite pelo povo chinês e pela comunidade internacional".

Wang acusou "alguns políticos americanos" de "se preocuparem apenas com os seus próprios interesses", comportamento que descreveu como "brincar com o fogo".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês avisou hoje, através da sua porta-voz Hua Chunying, que Taiwan enfrenta "consequências desastrosas" se "os Estados Unidos gerirem mal a situação no Estreito".

O próprio presidente chinês, Xi Jinping, pediu ao seu homólogo americano, Joe Biden, "para não brincar com o fogo" na sua conversa telefónica da semana passada.

A tensão aumentou recentemente no Estreito de Taiwan devido à possível chegada de Pelosi a Taiwan esta noite, antecipada pelos meios de comunicação americanos e taiwaneses mas não confirmada oficialmente.

Representantes militares e civis chineses alertaram recentemente para a retaliação caso Pelosi chegue a Taiwan.

A China reivindica a soberania sobre a ilha e considera Taiwan uma província rebelde desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para lá em 1949, após perderem a guerra civil contra os comunistas.

Taiwan, com o qual os EUA não mantêm relações oficiais, é uma das principais fontes de conflito entre a China e os EUA, principalmente porque Washington é o principal fornecedor de armas de Taiwan e seria o seu maior aliado militar no caso de um conflito bélico com o gigante asiático.