EFELisboa

O indigitado primeiro-ministro de Portugal, o socialista António Costa, visita hoje as sedes dos partidos de esquerda do Parlamento luso a fim de obter o seu apoio para toda a legislatura, uma ideia que, por enquanto, gera mais reservas que aceitação entre os grupos que o poderão apoiar.

Numa agenda tão frenética como a protagonizada esta terça pelo presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, para encarregar-lhe em tempo recorde a formação de governo, Costa visita com a sua equipa negociadora as sedes partidárias para fechar o processo e garantir que terá uma maioria estável.

Fá-lo porque nas eleições legislativas de domingo ficou a dez cadeiras das 116 com as quais se obtém maioria absoluta em Portugal, e embora a sua vitória seja bastante folgada para que lhe baste a abstenção da esquerda, não quer deixar fios soltos.

Costa procura um acordo para toda a legislatura, o que lhe garantiria o apoio a quatro orçamentos num período que se aparenta difícil para a economia portuguesa, dada a desaceleração que já vive e o golpe que a saída do Reino Unido da União Europeia pode representar para o crescimento luso.

Mas os partidos de esquerda, cinco no total, parecem mais proclives a negociar o seu apoio medida a medida do que lhe entregar um cheque em branco.

"Temos interesse em ligar e falar com todos os partidos políticos com uma visão prática, mas neste exato momento nós não temos um interesse numa convergência integral", deixou claro Joacine Katar Moreira, única deputada eleita do Livre, que entra pela primeira vez no Parlamento.

Katar Moreira foi a primeira a reunir-se com Costa, a quem disse que estão disponíveis para participar numa "união multipartidária" antes que bilateral.

No fim do encontro, o primeiro-ministro ressaltou que procuram um pacto de "estabilidade" mas que, caso não seja possível, os socialistas trabalharão "relativamente a cada uma das iniciativas, principalmente orçamentos".

Após a reunião na sede do Livre, Costa foi a pé, junto à sua equipa negociadora, à sede do animalista PAN para conhecer a sua postura.

A ronda de contatos vai continuar em ordem crescente de cadeiras até a meio da tarde, quando se vai reunir em último lugar com o marxista Bloco de Esquerda, que tem 19 cadeiras.

Embora Costa tenha pactuado há quatro anos com o Bloco e os comunistas para assegurar apoio parlamentar, uma aliança batizada como "geringonça", parece descartado que este cenário se repita, não só pela folgada vitória do socialista, que sobem 20 deputados, mas pela crescida do PAN e a entrada em cena do Livre.