EFELisboa

A recente divulgação de que a Câmara Municipal de Lisboa partilhou com as autoridades da Rússia os nomes de três ativistas russos que, no passado janeiro, se manifestaram frente à embaixada do seu país em Lisboa para exigir a libertação do líder opositor Alexei Navalni provocou uma nova tempestade política em Portugal e obrigou o autarca, Fernando Medina, a pedir desculpas publicamente.

Segundo Medina, que pertence ao Partido Socialista (PS), o erro deveu-se ao "funcionamento burocrático que se aplicou nesta manifestação, como na generalidade das dezenas de manifestações que se realizam no município".

"Foi um erro lamentável que não devia ter acontecido", lamentou o autarca lisboeta esta quinta-feira.

A Câmara de Lisboa partilhou com as autoridades russas o nome, morada e contactos dos três manifestantes, pelo que os ativistas russos já anunciaram que vão levar o caso à Justiça.

Inclusivamente, a Comissão Nacional de Proteção de Dados de Portugal (CNPD) abriu hoje uma investigação, após ter recebido uma queixa formal.

Em declarações à RTP, um dos três ativistas, com iniciais P.E. e em regime de asilo político em Portugal desde 2014, explicou que "é importante saber quem é responsável" pelo envio dos dados para garantir que estes erros não voltem a ser cometidos.

O ativista lamentou que até agora "estivesse protegido por um Estado, mas o mesmo Estado que me deu proteção envia os meus dados para o Estado do qual eu fugi".

Até o próprio presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que descreveu o que aconteceu como "lamentável", falou hoje com o próprio presidente da Câmara de Lisboa para saber o que aconteceu em primeira mão.

Os diferentes partidos políticos em Portugal, tanto de centro-direita como de esquerda, anunciaram que irão pedir explicações no Parlamento português.