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O conservador Partido Popular (PP), que governa a região de Madrid desde 1995, fortaleceu-se no poder após as eleições realizadas esta terça-feira ao conquistar 65 cadeiras no Parlamento regional.

Esse número representa mais que o dobro do obtido nas eleições anteriores, de 2019 (30), quando foi o segundo partido mais votado, atrás do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), mas conseguiu formar Governo por meio de alianças que lhe garantiram a maioria parlamentar.

Desta vez o partido quase garantiu essa maioria absoluta sozinho, ficando a apenas quatro assentos de a conseguir.

Já o PSOE, do presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, perdeu esta terça 13 cadeiras e ficou com 24, empatado com outro partido de esquerda, o Más Madrid, que inclusivamente o ultrapassou em número de votos.

A eleição regional em Madrid foi realizada após uma dura campanha, que viu uma grande polarização entre os partidos de direita e esquerda.

PP FORTALECE-SE EM MADRID

O PP teve a presidente regional de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, como figura-chave na campanha, com a bandeira "liberdade ou comunismo", referindo-se ao fato de o emblemático líder do partido de esquerda Unidas Podemos, Pablo Iglesias, participar nas eleições -inclusive, para isso, renunciando à segunda vice-presidência de Espanha-.

Com os seus 65 assentos, o PP pode até governar sozinho, bastando apenas uma abstenção do Vox, partido de extrema-direita que conseguiu uma cadeira a mais no Parlamento regional em comparação com as eleições anteriores.

O PP foi o partido mais votado em quase todos os municípios da comunidade autónoma de Madrid, e só não levou a melhor em dois. Além disso, na capital foi o partido mais votado em todos os 21 distritos.

"Vou poder ter a liberdade de fazer tudo o que for necessário", disse Díaz Ayuso aos jornalistas.

A presidente regional convocou estas eleições de forma antecipada (a legislatura termina em 2023) como uma ação estratégica, para tentar conseguir mais deputados e governar sem coligação, após dois anos de governo em parceria com o liberal Ciudadanos e o apoio parlamentar do Vox.

Já o Ciudadanos foi um dos grandes derrotados, não conseguindo atingir a barreira de 5% dos votos para ter representação no Parlamento de Madrid. Em 2019, o partido conseguiu 26 deputados.

A líder do Vox em Madrid, Rocío Monasterio, disse após a divulgação dos resultados eleitorais que o partido vai facilitar a nova posse de Díaz Ayuso.

Apesar de antecipada, a eleição tem que cumprir o calendário quadrienal anterior, pelo que em 2023 será realizado uma nova eleição em Madrid e em quase toda a Espanha, exceto nas chamadas comunidades históricas (Catalunha, Galiza e País Basco), que têm o seu próprio calendário.

ESQUERDA FULMINADA

Os 65 assentos conquistados pelo PP fazem com que tenha, sozinho, mais representação parlamentar do que os três partidos de esquerda que disputaram as eleições (PSOE, Más Madrid e Unidas Podemos), que juntos conseguiram 58.

Desses três partidos, o que mais se enfraqueceu foi o PSOE, que perdeu 13 cadeiras em relação a 2019, ficando com 24, assim como o Más Madrid -que obteve três a mais que há dois anos- e agora foi o segundo mais votado.

Já o Unidas Podemos, liderado pelo chefe do partido ao nível nacional, Pablo Iglesias, conseguiu dez assentos nesta eleição, ganhando três em relação a 2019.

Porém, o sabor para Iglesias foi amargo. Ele, que já tinha renunciado à segunda vice-presidência do Governo de Espanha para concorrer nestas eleições, anunciou depois dos resultados das eleições terem sido divulgados que vai abandonar a política institucional.

PARTICIPAÇÃO POPULAR EM MASSA

A participação popular nas eleições regionais desta terça-feira em Madrid, com 80,73%, foi a mais alta neste tipo de eleição, apesar de ter sido realizada durante a pandemia de coronavírus.

Este volume foi 16,46 pontos maior que o das eleições anteriores na comunidade autónoma de Madrid, há dois anos.

Outra característica diferente destas eleições é que foram num dia útil, quando em Espanha é costume serem realizadas a um domingo.

Os eleitores esperaram pacientemente por até mais de uma hora para exercer o seu direito de voto, que nesta ocasião não foi realizado apenas nas escolas, mas em espaços diversos, tais como uma arena de touros, tudo para manter o máximo distanciamento social devido à pandemia.