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O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, advertiu Marrocos esta terça-feira que vai garantir a integridade territorial de Espanha "com todos os meios necessários", após a onda massiva de imigrantes marroquinos que chegaram ao país nas últimas horas por via marítima.

Numa breve conferência de imprensa, Sánchez avaliou o sucedido na cidade espanhola de Ceuta, no norte de África, a onde, desde ontem, chegaram cerca de 6.000 imigrantes marroquinos, muitos dos quais foram enviados de volta para o seu país.

A tranquilidade dos cidadãos de Ceuta e Melila está garantida "com todos os meios necessários" e perante qualquer eventualidade ou circunstância, disse Sánchez, que anunciou que nas próximas horas viajará para estas cidades espanholas, ambas no norte do continente africano.

"Como presidente do Governo, sempre acreditei firmemente que Marrocos é um país parceiro, um país amigo de Espanha, e assim deve continuar a ser. O cuidado das nossas relações sempre fez parte da política externa espanhola, também do meu governo. E é assim que deve continuar a ser. O meu desejo é continuar a reforçar ainda mais esta relação de amizade", indicou o chefe do Executivo espanhol.

Sánchez ressaltou que "os laços humanos, históricos, culturais, económicos e estratégicos apelam a ambos os países para que cooperem e trabalhem juntos para progredirem conjuntamente. Esta cooperação deve basear-se no respeito pelas fronteiras mútuas, que é a base da vizinhança dos países amigos".

"A integridade territorial de Espanha, as suas fronteiras e a segurança e paz dos nossos compatriotas serão sempre defendidas pelo Governo espanhol, face a qualquer desafio, com todos os meios e em conjunto com os nossos parceiros europeus", sublinhou.

Um pouco antes, numa conferência de imprensa, o Ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, anunciou que 2.700 dos 6.000 imigrantes, entre os quais nenhum menor, que entraram ilegalmente em Ceuta nas últimas horas já tinham sido devolvidos a Marrocos.

Ao longo de 2021 foram registadas entradas a nado desde Marrocos, a mais recente a 27 de abril, embora há 15 anos que não havia uma chegada tão grande num só dia como a de segunda-feira, beneficiada por um contexto de falta de vigilância costeira por parte das autoridades marroquinas, como a Efe pôde constatar.

A ministra espanhola dos Negócios Estrangeiros, Arancha González Laya, assegurou esta terça que não consta que o sucedido possa ser uma medida de pressão de Marrocos devido à presença do líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, num hospital espanhol.