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Espanha fecha a partir de hoje todas as atividades não essenciais, procurando assim reduzir ao máximo a mobilidade dos cidadãos e evitar novos contágios e o colapso do sistema de saúde, que já se encontra ao máximo da sua capacidade.

A pandemia já deixou em Espanha 6.528 mortos, 78.797 casos registados e 4.907 pacientes em unidades de cuidados intensivos (UCI), levando o sistema de saúde à beira do colapso.

O responsável de Emergências de saúde, Fernando Simón, advertiu este domingo que, apesar da queda no ritmo de contágios sustentável nos últimos quatro dias, as UCI estão ao máximo da sua capacidade em seis das dezassete regiões espanholas.

As grandes cidades espanholas acordaram esta segunda-feira praticamente vazias, com obras paradas e acessos por comboio ou estrada praticamente vazios.

As atividades consideradas não essenciais vão permanecer paralisadas a partir de hoje e até 9 de abril, período no qual os trabalhadores terão uma licença remunerada, embora essas horas devam ser recuperadas antes de 31 de dezembro deste ano.

No entanto, a aplicação desta medida, anunciada pelo Presidente do Governo, Pedro Sánchez, no sábado passado e aprovada este domingo, causou críticas entre as empresas, uma vez que até ao final de domingo não se sabia exatamente quais os sectores que poderiam funcionar.

O ministro espanhol dos Transportes, José Luis Ábalos, justificou esta segunda-feira o imediatismo na implementação desta medida porque é a única forma de a tornar "eficaz", uma vez que perderia eficácia se fosse "gradual".

Dada a confusão inicial, o Executivo vai permitir que os trabalhadores se desloquem ao trabalho esta segunda-feira, ainda que estejam incluídos nos casos de permissão retribuída, para realizar tarefas necessárias para a correta interrupção da atividade, o que pode afetar sobretudo algumas indústrias e a construção.

Para além daquelas já consideradas atividades essenciais, como os cuidados de saúde, forças e corpos de segurança, a indústria alimentar ou o transporte de mercadorias, são estabelecidas mais de trinta exceções à suspensão da atividade, incluindo sectores como os trabalhadores domésticos, entregas, caixas dos supermercados, a restauração para entrega ao domicílio, trabalhadores em lares de idosos ou quiosques.

Esta medida, amplamente exigida pelos sindicatos e por alguns executivos regionais, como o da Catalunha, tem sido recebida com reticências por outros, como o caso do País Basco, cujo partido governante, o PNV, tem apoiado até agora todas as medidas do Executivo.