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A preocupação com o aumento do número de pacientes com covid-19 nos hospitais na quinta vaga da pandemia levou as autoridades de Espanha a retomarem restrições em boa parte do país para tentar conter a disseminação dos contágios de coronavírus.

O recolhimento obrigatório voltou a estar em vigor em várias regiões espanholas em pleno verão, na alta temporada do turismo. Com a incidência da doença com tendência crescente, principalmente entre os jovens, o objetivo é reduzir as infeções ao mesmo tempo em que se acelera a vacinação entre as faixas etárias mais jovens.

NOVO RECOLHER OBRIGATÓRIO

A vida noturna foi retomada no início do verão em grande parte de Espanha, embora com algumas limitações, mas sem o uso obrigatório de máscara nas ruas.

Havia a esperança de que o turismo, um setor essencial da economia espanhola, pudesse ser reativado e que o bom ritmo da campanha de vacinação deixasse para trás os piores momentos da pandemia.

No entanto, episódios como um grande surto com milhares de infeções entre os jovens num dos principais destinos turísticos do país, a ilha de Maiorca, fizeram soar o alarme, e outros países europeus passaram a desaconselhar viagens a Espanha.

Este panorama levou muitas regiões do país a reintroduzirem o recolher obrigatório noturno e outras medidas, como a limitação do número de participantes em reuniões sociais a um máximo de dez, tanto na rua como em casa, e a antecipação do horário de fecho para bares e restaurantes.

Os setores afetados procuraram apoio do Poder Judiciário, após o Tribunal Constitucional espanhol ter declarado inconstitucional o primeiro estado de emergência decretado pelo Governo, em março do ano passado, no início da pandemia, com base no fato de ser necessário um nível superior para suspender direitos essenciais como a liberdade de circulação.

Mas, agora, os tribunais estão a acordar com algumas regiões, considerando que a gravidade da situação justifica a reintrodução dessas restrições. O recolher obrigatório já afeta nove milhões de espanhóis, incluindo municípios da Catalunha e de Valência, outros dos principais destinos turísticos de sol e praia do país.

PREOCUPAÇÃO NOS HOSPITAIS

Uma das razões para o Departamento de Justiça dar o aval a essas medidas é a "situação de quase colapso" nos centros de atenção primária, que cada vez mais têm de encaminhar os doentes para hospitais.

"Ainda estamos longe de poder relaxar", advertiu a porta-voz do Governo da Catalunha, Patrícia Plaja.

Várias regiões -mais recentemente as Ilhas Baleares, esta quinta-feira- têm batido recordes diários de contágios, que acabam por causar pressão nos hospitais.

Esta pressão é especialmente preocupante na Catalunha, com quase dois mil internados com covid-19, mais de 400 nos cuidados intensivos, que estão com uma ocupação de 39%, enquanto a média do país é de 13,5%.

Enquanto isso, mais de metade da população espanhola já foi totalmente vacinada e quase 64% recebeu pelo menos uma dose de vacina contra a covid-19.

"Mais de 25 milhões de pessoas já têm a vacinação completa em Espanha. Passamos um novo marco na vacinação, avançando de forma imparável rumo ao nosso objetivo: a imunização coletiva", escreveu no Twitter o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

As taxas de vacinação ainda estão baixas entre os mais jovens, que ficaram por último na ordem de prioridades do calendário.

A incidência de covid-19 em Espanha é, em média, de 659 casos a cada 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, mais que o dobro dos 250 que caracterizam o nível de risco extremo. Na faixa entre 20 e 29 anos, a média dispara para 1.863 casos.

Desde o início da pandemia, Espanha já contabilizou 4.249.258 casos de covid-19 e 81.194 falecidos.