EFE

Washington

A guerra na Ucrânia poderá entrar numa fase mais imprevisível, volátil e sangrenta nos próximos meses e estender-se para além do que parece agora ser a intenção por parte dos russos de controlar apenas o Donbass, no leste ucraniano, segundo a diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Avril Haines.

Numa comparência perante o Comité de Serviços Armados do Senado norte-americano, Haines afirmou que os objetivos estratégicos do líder russo, Vladimir Putin, na Ucrânia "provavelmente não mudaram" desde o início da invasão, a 24 de fevereiro, segundo a imprensa local.

"A natureza incerta da batalha, que se está a tornar numa guerra de desgaste, combinada com a realidade de que Putin enfrenta um desajuste entre as suas ambições e as capacidades militares convencionais atuais da Rússia, provavelmente significa que nos próximos meses poderemos avançar numa direção mais imprevisível e para uma maior escalada da violência", garantiu Haines, segundo publicou a revista Politico.

"No mínimo, achamos que esta situação marcará o começo" de um período de tomada de decisões mais ajustado às circunstâncias da ofensiva por parte da Rússia, ressaltou.

Haines acrescentou que Putin poderá procurar "meios mais drásticos" na frente interna e no estrangeiro para conseguir os seus objetivos, incluída a imposição da lei marcial, a mudança da produção industrial para sustentar o esforço da guerra e "ações militares de maior envergadura".

O Kremlin ameaçou o uso de armas nucleares, uma retórica que, segundo Haines, tem como objetivo dissuadir os Estados Unidos e outros aliados para que não proporcionem à Ucrânia mais equipamento de combate.

Putin poderá efetuar novos testes nucleares como uma advertência ao Ocidente, acrescentou Haines, embora disse considerar que o presidente russo apenas irá aprovar o uso destas armas "se realmente vir uma ameaça existente para o Estado ou regime russo".

Apesar da Rússia parecer ter mudado a sua estratégia e se centrar em controlar o Donbass, onde as tropas ucranianas lutam há anos contra os separatistas apoiados pela Rússia, Haines acha que Putin tem a intenção de expandir a guerra para além dessa região, o coração industrial do país.

A chefe da inteligência norte-americana sublinhou que Moscovo procura criar uma ponte terrestre desde a ocupada península de Crimeia à Transnístria, na vizinha Moldávia, mas não o pode fazer sem uma maior mobilização militar.

"Mesmo se tiverem sucesso, não estamos seguros de que a luta no Donbass termine efetivamente com a guerra", disse.

"Consideramos que o presidente Putin se está a preparar para um conflito prolongado na Ucrânia, durante o qual ainda tem a intenção de conseguir alvos maiores", segundo o depoimento da diretora de Inteligência Nacional, também noticiado pela CNN.