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O rei Felipe VI vai fechar esta terça-feira a sua ronda de consultas com os representantes dos partidos e certificar se a situação política em Espanha se desbloqueia e o candidato socialista à reeleição como chefe do Governo, Pedro Sánchez, tem apoios suficientes ou se haverá repetição eleitoral a 10 de novembro.

Depois de se reunir segunda-feira com dirigentes de oito partidos pequenos, hoje vai receber outros sete, entre eles os líderes dos partidos maiores, por ordem de menor a maior representação parlamentar: o esquerdista Pablo Iglesias (Unidas Podemos), o liberal Albert Rivera (Ciudadanos), o conservador Pablo Casado (PP) e o socialista Pedro Sánchez (PSOE).

O encontro do monarca com Sánchez está previsto para as 18h00 (16h00GMT), com quem irá ver se, após as reuniões com os restantes partidos, há alguma possibilidade de poder ser reeleito presidente numa segunda tentativa, após o fracasso do mês de julho.

Até agora, tanto o PP como o Ciudadanos têm rejeitado qualquer apoio a Sánchez, mas Rivera anunciou na segunda que se poderá abster em troca de garantias em questões sobre a sua postura sobre os nacionalismos basco e catalão e em matéria de impostos.

O líder do Ciudadanos pediu esta terça uma reunião a Pedro Sánchez para discutir as condições da sua abstenção, algo que considera uma "obrigação", tendo em conta que o líder socialista "não faz nada".

Por sua parte, o PSOE espera que Rivera comunique ao líder socialista a sua disposição de uma "abstenção técnica", "pelo interesse geral" de Espanha.

O PSOE é o partido maioritário no Congresso com 123 deputados dos 350 da Câmara, mas precisa do apoio de outros grupos para que Sánchez seja investido como presidente do Governo.

Os socialistas têm-se referido ao Unidas Podemos como "parceiros preferenciais", mas também pediram a abstenção do Ciudadanos e ao PP, com a qual se poderia dar início a um governo com plenas faculdades em Espanha, que tem um executivo interino desde o mês de abril.

Após o encontro com Sánchez, Felipe VI vai transmitir à presidente do Congresso, Meritxell Batet, se haverá novo debate de investidura nos próximos dias ou se no dia 23 de setembro, dois meses depois da investidura falhada, serão automaticamente convocadas eleições para o dia 10 de novembro, em aplicação da legislação espanhola.

Caso se volte a eleições, estas seriam as quartas em quatro anos, após as de dezembro de 2015, junho de 2016 e abril de 2019, algo inédito na recente história de Espanha.