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O governo britânico rejeitou nesta terça-feira que o gabinete de Boris Johnson não esteja disposto a negociar um acordo do brexit e que deseja que as conversas não tenham sucesso para provocar uma saída da União Europeia (UE) sem acordo, como especularam alguns líderes europeus.

Um porta-voz do Executivo ressaltou que o primeiro-ministro, Boris Johnson, quer "reunir-se" com os dirigentes do bloco comunitário para "negociar um novo acordo".

No entanto, Johnson reiterou que o Reino Unido vai sair do bloco comunitário em 31 de outubro, com ou sem consenso.

"Nos vamos negociar com as nossas melhores energias e esperamos que a UE recapacite a sua atual rejeição a fazer qualquer mudança no acordo de saída", acrescentou o porta-voz do número 10 de Downing Street.

O tratado para deixar a UE proposto pela ex-primeira-ministra, Theresa May, e pactuado com Bruxelas foi rejeitado em três ocasiões pelo Parlamento, o que lhe custou o cargo e a liderança do Partido Conservador.

Estas declarações foram dadas depois que a UE qualificou de inaceitáveis os pedidos britânicos de eliminar o "backstop", uma cláusula que obrigaria a Irlanda do Norte a se manter integrada nas estruturas comunitárias para evitar o estabelecimento de uma alfândega com a República da Irlanda.

Johnson reiterou em várias ocasiões o seu compromisso de não restabelecer uma fronteira física entre as duas Irlandas.

O novo primeiro-ministro rejeitou, além disso, a possibilidade de convocar eleições gerais e negou estar a preparar-se para isso, como suspeitam alguns veículos de imprensa britânicos, e como reivindica o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbin.

"As pessoas votaram nas eleições de 2015, houve um referendo em 2016 e voltaram a votar nas eleições gerais de 2017. O que as pessoas querem é que consigamos fazer o que pediram: deixar a União Europeia", afirmou o chefe do Executivo do Reino Unido.