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O Governo espanhol aprovou esta quinta-feira o orçamento de Estado para 2022, que contempla o maior investimento público da história de Espanha, com um forte carácter social e com a juventude, ciência e cultura como os principais focos.

No total, as contas públicas para o próximo ano preveem gastos de 40.000 milhões de euros para investimento, "a maior verba da história", segundo disse a ministra das Finanças, María Jesús Montero, na conferência de imprensa de apresentação do orçamento.

Já o gasto social será acima dos 240.000 milhões, 59,8% do total das contas públicas, mais de metade dos quais serão dedicados às pensões.

Em resumo, seis de cada dez euros irão para políticas sociais, procurando conseguir uma "recuperação justa" após a profunda crise causada pela pandemia, e tornar o país mais competitivo e sustentável, segundo a ministra.

No que diz respeito aos jovens, o orçamento contempla 12.550 milhões de euros para este setor da população, que vão desde a ajuda à habitação, com um vale de 250 euros mensais para ajudar os jovens a tornarem-se independentes, até um vale de 400 euros para aqueles que fazem 18 anos para gastar na cultura, um setor que tem sofrido muito devido às restrições impostas pela pandemia.

Além disso, são destinados 2.199 milhões de euros a bolsas de estudo, com o objetivo de promover a igualdade de oportunidades.

No que diz respeito à ciência, o projeto de orçamento atribui 13.298 milhões de euros à investigação, desenvolvimento e digitalização, o que duplica a dotação de 2020, representando um "compromisso essencial para a ciência, inovação e investigação, que são motores de crescimento e bem-estar", de acordo com a ministra.

Montero salientou também os 7.600 milhões de euros que o orçamento atribui às políticas de emprego para reforçar a formação profissional, entre outros âmbitos.

Haverá também verbas para promover a competitividade das PMEs e para apoiar os trabalhadores independentes.

As contas públicas preveem igualmente outras medidas de cariz social, tais como o aumento das pensões em função da inflação, ou o aumento de 2% dos salários dos funcionários públicos.

É também estabelecido uma taxa mínima de 15% para o imposto sobre o rendimento de pessoas coletivas, que afetará cerca de 1.000 empresas, e com a qual o Governo espera angariar 400 milhões de euros.

Este orçamento é o resultado de duras negociações entre os dois parceiros do Governo de coligação espanhol, os socialistas -o grupo maioritário- e o partido de esquerda Unidas Podemos.

Este projeto orçamental deve ir agora para o Congresso, onde os partidos do Executivo não têm maioria, pelo que devem negociar com diferentes grupos parlamentares para a sua aprovação definitiva.