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Espanha chegou ao meio do que os especialistas consideram como a semana "mais dura" da pandemia do coronavírus com a saúde praticamente bloqueada e trabalhadores desta área esgotados, especialmente nas regiões mais afetadas, como Madrid e Catalunha.

Com quase 40.000 contágios, o número de mortos não para de aumentar, e esta terça-feira o país atingiu uma nova marca de falecidos diários por Covid-19 (514), chegando aos 2.698 (56,9% em Madrid).

Além disso, com 2.636 pacientes em unidades de cuidados intensivos (UCI), estes serviços estão à beira do colapso, tanto por falta de material como por falta de pessoal.

A isto há que acrescentar o grande número de profissionais de saúde afetados pela pandemia, 5.400, embora de forma muito desigual no país, o que explica a "situação complicada" que o sistema de saúde espanhol enfrenta, explicou ontem o doutor Fernando Simón, porta-voz da Saúde espanhola.

Simón reconheceu que a infeção dos profissionais de saúde, que tem a taxa mais alta de todos os países afetados, está relacionada, em certa medida, com a falta de equipamento, mas também em outros casos com contágio na comunidade, fora do local de trabalho.

A região de Madrid, que inclui a capital de Espanha, é a mais afetada, a tal ponto que o próprio Ministro da Saúde, Salvador Illa, avançou esta terça-feira a possibilidade de desviar recursos de outras regiões para esta comunidade.

"Este é o momento de solidariedade com Madrid, apelo a essa solidariedade, como faremos quando situações de tensão ocorrerem em outros partes", disse Illa.

Com esta situação, é frequente aparecer na imprensa do país imagens de médicos exaustos devido a intensos dias de trabalho, somados à tensão causada pela falta de material, que todos os profissionais de saúde coincidem em denunciar.

Devido à crise económica da última década, o sistema de saúde espanhol sofreu diversos cortes, e a Comunidade de Madrid foi um exemplo claro, onde os seus profissionais de saúde organizaram mobilizações nas ruas.

Como exemplo da crise que Espanha está a atravessar, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) colocou todos os seus funcionários de saúde ao serviço do sistema nacional de saúde e está a colaborar em Madrid e Barcelona para atender ao aumento da procura como resultado da pandemia do coronavírus.

Com este cenário, o Congresso pretende prolongar esta quarta-feira o estado de alarme por mais quinze dias, até 11 de abril, conforme proposto pelo Governo, para o qual conta com apoio parlamentar.