EFETeerão

As autoridades da República Islâmica do Irão ameaçaram hoje os manifestantes que há vários dias protestam por todo o país contra o Governo com acusações de crimes, entre outros, puníveis com a pena de morte.

"A cada dia que passe e as pessoas sejam detidas, vai aumentar o seu crime e castigo e nós já não os consideramos manifestantes pelos seus direitos, pois querem prejudicar o regime", disse hoje o presidente do Tribunal Revolucionário de Teerão, Musa Ghazanfarabadi, segundo a agência iraniana de notícias Tasnim.

Os detidos serão declarados culpados de diferentes delitos, entre os quais figuram "atentar contra a segurança nacional" e a "inimizade com Deus" (moharebeh), ambos puníveis com a condenação à morte, esclareceu Ghazanfarabadi.

Pelo menos 20 pessoas morreram por causa dos confrontos entre a polícia e os manifestantes antigovernamentais contra a corrupção e as condições socio-económicas do país, cujos protestos começaram no passado 28 de dezembro.

"Os que estiveram presentes à frente dos distúrbios serão acusados, entre outros crimes, de 'inimizade com Deus', já que estão relacionados com os serviços de Inteligência estrangeira e aplicam os seus programas", antecipou.

Além disso, os detidos podem ser considerados culpados de "destruição de bens públicos, destruição de bens pessoais do povo", entre outros, explicou Ghazanfarabadi.

"Os que sejam detidos a partir do terceiro dia dos distúrbios, o seu crime e castigo vai ser pesado após o anúncio do Ministério do Interior relativamente à ilegalidade destas manifestações", disse.

O responsável aconselhou às famílias a que estejam atentas a respeito dos seus filhos, porque depois vão mostrar vídeos das confissões dos acusados e então nem o arrependimento nem os pedidos de perdão serão úteis.

Nos protestos que se desenvolvem desde a passada quinta-feira num grande número de cidades iranianas cantaram-se lemas de ordem contra o regime da República Islâmica e registaram-se confrontos entre os manifestantes e os agentes de segurança.

Até agora mais de 20 pessoas perderam a vida e 450 foram detidas apenas em Teerão.