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O presidente iraniano, Hassan Rohani, disse esta quinta-feira que o seu país está a enriquecer mais urânio diariamente do que antes da assinatura do acordo nuclear de 2015, a cujo mecanismo de solução de controvérsias os signatários europeus recorreram esta semana.

"Estamos a enriquecer mais urânio do que antes do acordo ter sido alcançado", disse o presidente num discurso, no qual assinalou que a pressão sobre o Irão aumentou, mas que o país continua a "progredir".

O pacto nuclear, JCPOA (as suas siglas em inglês) estipulava que o Irão não podia exceder um limite de armazenamento de urânio de 300 quilos e um nível de enriquecimento de 3,67%.

Alemanha, França e Reino Unido ativaram há dois dias o mecanismo acima mencionado, que deve resolver em menos de 35 dias as reclamações apresentadas, alegando que é inaceitável que o Irão não cumpra com os seus compromissos nucleares.

Teerão anunciou no passado 5 de Janeiro que já não estava a cumprir na prática as limitações impostas ao seu programa atómico, incluindo os níveis de enriquecimento de urânio, o quinto e último passo da sua redução gradual na implementação das suas obrigações.

O JCPOA encontra-se muito debilitado desde que os EUA o abandonaram em maio de 2018 e reinstituíram sanções ao Irão, que os outros signatários (Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) não conseguiram contrariar.

Durante uma sessão da Assembleia Geral do Banco Central do Irão, Rohani também disse que o diálogo com o mundo é complicado, mas "possível", no meio da crescente tensão com os Estados Unidos e a Europa.

"Como chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, cuido da segurança e evito diariamente confrontos militares. Sem a atenção diária, a distância entre a guerra e a paz é só uma bala", explicou.

O presidente ressaltou que ultrapassar esta crise com os Estados Unidos "não será possível sem a resistência e firmeza de uma nação unida", consciente das divisões internas e das críticas ao sistema islâmico que surgiram depois de um avião ucraniano com 176 pessoas a bordo ter sido abatido por engano.

A nova escalada de tensão entre o Irão e os EUA explodiu com o assassinato em Bagdad do general iraniano Qassem Soleimani a 3 de janeiro, ao qual Teerão respondeu com um ataque a uma base militar no Iraque com a presença de tropas americanas.