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Itália deu mais um passo na saída gradual da quarentena esta segunda-feira ao levantar algumas das restrições impostas para conter a pandemia do coronavírus, como a reabertura de centros desportivos e piscinas em muitas regiões, enquanto regista 300 novas infeções, o menor número desde o final de fevereiro.

O país continua a superar a crise sanitária. O total de infeções chega a 230.158, um aumento de apenas 300 em relação a domingo, com quase metade delas, precisamente 148, na região da Lombardia, a mais afetada pelo vírus SARS-CoV-2. No entanto, foram feitos menos testes na segunda, com 35.241, aquém dos 55.824 realizados domingo e dos mais de 72.000 do último sábado.

O número de mortes relatadas nas últimas 24 horas é de 92, elevando o total de óbitos para 32.877 desde o início da crise, a 21 de fevereiro, quando foi detetado o primeiro contágio no país.

Existem atualmente 55.300 casos ativos no país, quase 1,300 a menos do que domingo. Desses, 84%, estão isolados nas suas casas com sintomas leves ou assintomáticos, 8.185 foram internados e 541 estão nos cuidados intensivos, o que reduziu a pressão sobre o sistema de saúde.

ABREM OS GINÁSIOS: UM NOVO PASSO NO DESCONFINAMENTO

Alguns estabelecimentos ainda não tinham sido abertos, pois eram considerados fontes potenciais de contágio. É o caso dos ginásios, dos centros desportivos e das piscinas, que a partir desta segunda-feira estão de volta ao funcionamento em muitas regiões. As exceções são Basilicata, no sul do país, e a Lombardia, no norte, que terá de esperar mais uma semana, enquanto em Veneto, Ligúria e Sicília começaram há uma semana.

Existem aproximadamente em Itália 100.000 centros esportivos particulares com cerca de 20 milhões de frequentadores, tornando-se num dos setores mais afetados pelo fecho devido aos custos fixos significativos.

A associação nacional dessas instalações (Anif) fez uma estimativa que aponta que as perdas foram de 3.000 milhões de euros, e que este ano cada centro terá um faturamento entre 50% e 60% menor do que em 2019. Por outro lado, os gastos irão aumentar de 20% a 25%, ameaçando o futuro desses espaços.

DESPORTO SIM, MAS COM MEDIDAS ESPECÍFICAS DE SEGURANÇA

Uma jovem chamada Romana, que hoje se levantou cedo para abrir o seu ginásio no bairro Pratiem Roma, disse à Efe: "A vida mudou um pouco, não há mais os mesmos costumes, mas vejo que as pessoas estão felizes por se verem novamente. Há muitos clientes esta manhã".

A abertura é muito diferente das de dois meses e meio atrás, quando Itália estava confinada para evitar o vírus. A partir de agora, as autoridades impuseram medidas rigorosas de segurança a esses espaços para limitar a possibilidade de contágio interno.

Serão oferecidos géis desinfetantes e máscaras obrigatórias, mas os donos também terão que elaborar programas de atividades precisos para que não haja multidões.

Nos balneários e chuveiros, os espaços devem ser organizados de forma a que a distância entre as pessoas seja sempre de pelo menos 1 metro, e essa separação aumentará para 2 metros se o treino estiver a ser realizado.

Além disso, os aparelhos devem ser reorganizados e desinfetados após cada uso, e os utentes não podem compartilhar garrafas de água, toalhas ou itens pessoais. Todos terão a sua temperatura medida e será necessário trocar de calçado antes de entrar.

Nos arredores da Piazza Cavour, em Roma, Michela está a organizar a reabertura do ginásio que gere, e enfatiza a necessidade de desinfetar tudo: "Agora vamos demorar um pouco para a desinfecção contínua", afirmou.

"Nesta manhã fizemos a limpeza antes da abertura, e na quinta e sexta-feira fizemos a desinfeção completa com ozónio e produtos químicos que depois foram arejados durante o fim de semana", acrescentou.

Por Gonzalo Sánchez