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Um julgamento sem precedentes contra doze líderes separatistas catalães devido à sua participação no processo independentista dessa região em 2017 começa hoje no Supremo Tribunal espanhol, tendo já gerado cortes de trânsito e protestos em Barcelona por parte dos grupos independentistas radicais.

Enquanto os acusados eram levados desde a prisão ao Tribunal, os autodenominados Comités de Defesa da República (CDR) interromperam o trânsito com a queima de pneus na estrada AP 7 (que percorre a Catalunha) em pontos das províncias de Gerona e de Barcelona.

Segundo informaram fontes oficiais, também cortaram a Gran Vía de Barcelona, o que provocou grandes retenções à entrada da cidade, enquanto a Guarda Urbana de Barcelona também informava de problemas de tráfego numa das principais artérias devido a uma concentração de pessoas.

Os nove acusados que estão em prisão preventiva, entre eles o ex-vice-presidente do Governo catalão Oriol Junqueras, chegaram no começo da manhã ao tribunal vindos de duas prisões próximas a Madrid, para onde foram transferidos há poucos dias desde as prisões da Catalunha onde se encontravam detidos.

Por sua vez, outros três ex-conselheiros que serão julgados a partir de hoje estão em liberdade preventiva.

Todos eles estão acusados de participar de maneira ativa na realização de um referendo ilegal sobre a secessão da região da Catalunha a 1 de outubro de 2017 e da declaração unilateral de independência aprovada pelo Parlamento catalão a 27 desse mesmo mês.

Como resposta a este processo independentista, o Governo espanhol cessou imediatamente o Executivo catalão, assumiu as suas competências e convocou novas eleições regionais, enquanto a Justiça abriu uma causa para dirimir responsabilidades por causa da denúncia apresentada pelo Ministério Público.

O julgamento, sem precedentes em Espanha, começa às 10.00 horas (9.00 GMT) e está previsto que se prolongue durante cerca de três meses.

Os sete juízes que fazem parte do tribunal terão que decidir se nos fatos que se julgam houve violência ou não, e portanto, se os acusados terão cometido um delito de rebelião, que leva a penas de até 25 anos, ou de sedição, com menos tempo de prisão.

O processo, que gerou uma grande expectativa, será seguido por mais de 600 jornalistas de mais de 170 meios nacionais e internacionais e, além disso, a fim de dar máxima transparência, as sessões poderão ser acompanhadas pela televisão e em "streaming".