EFESanta Cruz de La Palma (Espanha)

A chegada do fluxo de lava do vulcão da ilha espanhola de La Palma ao mar está a formar uma densa nuvem de vapor de água e alguns gases que não representam um perigo para a saúde, além de estar a criar um delta lávico que "pouco a pouco ganha terreno ao mar".

Segundo a última contagem do sistema de satélites europeu Copérnico, a lava do vulcão afetou até ao momento 744 imóveis, 656 dos quais foram destruídos, e cobriu uma área de 267,5 hectares, enquanto os quilómetros de estradas afetadas chegam a 23,1, 21,5 dos quais foram destruídos.

Em declarações à Agência Efe, o vulcanólogo do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) Joan Martín assinalou que a quantidade de gases libertados pela lava quando entra em contacto com a água do mar é pequena e vai-se dispersar "muito rapidamente", pelo que o efeito será "muito local" e não haverá problemas se as recomendações das autoridades forem seguidas.

Os especialistas aconselharam os residentes das localidades próximas da área de Tazacorte, onde a lava entrou no mar ontem à noite, a tomarem precauções extremas e a permanecerem confinados nas suas casas, onde são aconselhados a fechar portas e janelas para evitar a entrada de gases desde o exterior.

Na mesma linha, o Cabildo de La Palma recomendou aos residentes confinados que fiquem fora da zona de exclusão e acrescentou que não será permitido o acesso às zonas evacuadas.

Desde a sua entrada no mar, antes da meia-noite de terça-feira, a lava está a formar um delta lávico na costa de Tazacorte que "pouco a pouco vai ganhando terreno" nas águas marinhas, disse o Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO).

Numa entrevista de rádio, o presidente das Canárias, Ángel Víctor Torres, disse esperar que o fluxo de lava pare de aumentar, dado o efeito devastador que tem tido nas casas e nas explorações agrícolas, após a abertura do canal que o dirige para o mar, onde continua a fluir "com normalidade".

Por sua parte, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que voltará a visitar a ilha, embora não tenha especificado uma data. Este anúncio acontece horas depois do Conselho de Ministros ter declarado La Palma como zona de catástrofe e aprovado uma ajuda de 10,5 milhões de euros.

Sánchez assegurou que as três administrações vão começar a trabalhar para aprovar o quanto antes um decreto-lei real "com muitas mais ajudas" para o povo de La Palma.