EFESan Sebastián (Espanha)

O líder do partido independentista basco EH Bildu -considerado durante anos o braço político da ETA-, Arnaldo Otegi, mostrou esta segunda-feira o seu "pesar e dor pelo sofrimento padecido" pelas vítimas do grupo terrorista que, afirmou, "nunca devia ter acontecido".

Otegi e outros líderes independentistas bascos tornaram esta segunda-feira pública uma declaração "solene" no âmbito do décimo aniversário do fim da violência da ETA, na qual expressaram uma mensagem especificamente direcionada às vítimas da organização terrorista, que ao longo dos seus mais de cinquenta anos de história assassinou 858 pessoas.

"Queremos transmitir-lhes o nosso pesar e dor pelo sofrimento padecido. Sentimos a sua dor, e desde esse sentimento sincero afirmamos que o mesmo nunca devia ter acontecido, ninguém pode ficar satisfeito que aquilo tudo tenha acontecido nem que tenha continuado durante tanto tempo", diz a declaração.

Otegi acrescentou que "infelizmente, o passado não tem remédio", pelo que nada do que digam "pode desfazer o dano causado".

"Mas estamos convencidos de que é pelo menos possível aliviá-lo através do respeito, consideração e memória. Queremos dizer-lhes do fundo do coração que lamentamos enormemente o seu sofrimento e nos comprometemos a tentar mitigá-lo na medida das nossas possibilidades. Vão-nos encontrar sempre dispostos a isso", acrescentou o líder independentista basco.

A ETA surgiu numa data não determinada entre 1958 e 1959, em plena ditadura de Francisco Franco, como uma organização socialista revolucionária de libertação nacional, embora ao longo do tempo a componente nacionalista e independentista e o uso sistemático da violência se tenham impondo.

Como resultado da sua atividade terrorista, segundo o Ministério da Administração Interna espanhol, foram assassinadas 858 pessoas.

A ETA deixou de matar há uma década. Em 2011, o número de crimes não resolvidos foi apontado como 377. Dez anos mais tarde, dezasseis foram solucionados, de acordo com a Associação das Vítimas de Terrorismo (AVT), nenhum deles com a ajuda de membros do grupo.