EFERecife (Brasil)

O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva criticou fortemente este domingo o Governo do atual presidente Jair Bolsonaro, acusando-o de "destruir o país" e "fomentar o ódio", palavras proferidas durante um comício no nordeste do país, o seu reduto político, nove dias depois da sua saída da prisão.

Lula, que depois de uma decisão do Supremo Tribunal ficou em liberdade após 580 dias atrás das grades, foi ovacionado pelos milhares de apoiantes que estiveram na praça de Nossa Senhora do Carmo, em pleno centro da capital de Pernambuco, para participar no Festival Lula Livre.

O ex-presidente, de 74 anos, saiu da prisão no passado 8 de novembro, depois de ter estado detido durante ano e médio, graças a uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que determinou que a prisão de uma pessoa condenada antes de que se esgotem todos os recursos é inconstitucional.

Lula estava atrás das grades desde 7 de abril de 2018, quando começou a cumprir uma pena de oito anos e dez meses por corrupção, ao ser condenado em terceira instância, acusado de receber como suborno um apartamento na praia da construtora OAS em troca de benefícios para a adjudicação de contratos com a Petrobras.

Lula, que ainda tem uma apelação entretanto já apresentada no Supremo Tribunal, que ainda não se pronunciou, defendeu sempre a sua inocência e que a sua prisão se deveu a motivos políticos para assegurar o triunfo de Bolsonaro, de extrema-direita.

No comício deste domingo, o ex-presidente voltou a culpar o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça do Governo de Bolsonaro, de orquestrar, junto com o atual presidente, a "quadrilha" que o pôs atrás das grades.

"Eu podia ter ido para uma embaixada ou a outro país, mas preferi ir à prisão porque queria desmascarar Moro, Bolsonaro e a Lava Jato", afirmou Lula durante o seu discurso.

"Eles estão a destruir o país, estão a destruir a esperança, estão a fomentar a milícia neste país e a alimentar o ódio", acrescentou, enquanto era ovacionado pelos seus apoiantes.

O ex-presidente disse ter aguentado tanto tempo preso porque teve como referência os milhões de brasileiros que viviam em piores condições que ele, e assegurou que a luta por conseguir melhores condições de vida vai continuar.

"Sou um homem de 74 anos com energia de 30 e tesão de 20. Não vou parar de lutar para que os nossos filhos vivam uma melhor vida que nós", disse o ex-chefe de Estado.