EFEBruxelas

A maioria de países da União Europeia (CE) vota este domingo os eurodeputados que vão representar mais de 500 milhões de pessoas durante os próximos cinco anos, num momento decisivo do projeto europeu perante a saída do Reino Unido e o auge dos extremismos.

Os cidadãos de até 21 países irão acudir amanhã às urnas para fechar quatro dias de votações que abriram na quinta-feira passada a Holanda e o Reino Unido.

Trata-se de escolher 751 representantes da cidadania que se vão reduzir a 705 depois do "brexit", quando 27 das cadeiras ocupadas por británicos irão repartir-se entre outros Estados membros, e os outros 46 ficarão em reserva com vistas à possível incorporação de novos países à União.

As eleições que a primeira-ministra britânica, Theresa May, nunca quis realizar, paradoxalmente, foram convocadas finalmente no Reino Unido perante o atraso da data para sair da União até ao próximo dia 31 de outubro, solicitado por Londres após não conseguir desenvolver no Parlamento de Westminster o acordo de retirada negociado com Bruxelas.

As pressas com as quais o Reino Unido organizou estas eleições, a última hora, deixaram sem poder votar muitos cidadãos comunitários que vivem no seu território, um assunto que já disse a Comissão Europeia que irá avaliar por se for detectada alguma infração.

Nunca antes foram realizadas umas eleições à Eurocâmara durante um processo de redução dos membros da UE em lugar de expansão.

Essa circunstância, junto à proliferação de partidos eurocéticos ou de extrema direita, que questionam valores fundamentais comunitários com os seus discursos xenófobos, fazem destas eleições um medidor chave dos roteiros que irá tomar o projeto europeu.

A grande coligação formada até agora pelo Partido Popular Europeu e os Socialistas Europeus poderia não somar maioria e precisar do apoio dos liberais, enquanto a ascensão dos partidos ecologistas previstos em vários países poderia transformá-los numa força chave no plenário.

Na noite do domingo, quando vão ser conhecidos os primeiros resultados oficiais dos países, irá ficar claro até que ponto ganharam poder os partidos antieuropeus e de extrema direita, que na legislatura que acaba de fechar estiveram dispersos até em três grupos políticos.

Estas eleições são importantes também porque nelas concorrem os cabeças de lista apresentados pelas diferentes famílias políticas, que são candidatos a presidir a Comissão Europeia.

São os chamados "Spitzenkandidaten", que o Parlamento Europeu quer legitimar pelo voto dos cidadãos se bem que, segundo os Tratados, é o Conselho Europeu (os líderes dos Estados membros) quem tem a última palavra nas nomeações dos chefes das instituições chave.

De facto, os chefes de Estado e de Governo da UE reuniram-se num jantar informal na próxima terça-feira para começar a negociar os nomes que irão designar para presidir não só a Comissão, mas o próprio Conselho Europeu e também o Parlamento, ou ocupar cargos como o de alto representante para a Política Externa.

Até agora, embora não haja uma lei escrita sobre isso, tentou-se manter um equilíbrio entre forças políticas, ao que irá unir-se o fator de igualdade de género.

Os cabeças de lista são o alemão Manfred Weber pelo Partido Popular Europeu, o holandês Frans Timmermans pelo Partido dos Socialistas Europeus, o tcheco Khan Zahradil pelos Conservadores e Reformistas, a alemã Ska Keller e o holandês Bas Eickhout pelos Verdes e a eslovena Violeta Tomic e o belga Nico Cue pela Esquerda Unitária Europeia.

A Aliança de Liberais e Democratas na Europa, que se opõe no início dos "Spitzenkandidaten", tem até sete candidatos principais, entre eles a dinamarquesa Margrethe Vestager, o belga Guy Verhofstadt e o espanhol Luis Garicano.

Para a cobertura da noite eleitoral foram credenciados o número recorde de 1.300 jornalistas, segundo o Parlamento Europeu, que irá transformar o plenário num grande centro de imprensa.

O porta-voz da Eurocâmara, Jaume Duch, garantiu hoje em comunicado que o interesse da imprensa nestas eleições "é muito maior" que nas precedentes, o que segundo a sua opinião demonstra "a crescente importância deste exercício democrático transnacional, que é único no mundo".

Rosa Jiménez