EFERoma

O líder do partido de extrema-direita Liga e vice-presidente do Governo italiano, Matteo Salvini, pressiona para votar já esta quarta-feira a moção de censura contra o seu próprio primeiro-ministro, Giuseppe Conte, enquanto os restantes partidos estão divididos em dois blocos.

O objetivo é fixar no calendário a moção que a Liga apresentou contra Conte para fazer cair o Governo que compartilhou durante 15 meses com o Movimento 5 Estrelas (M5S), agora em queda devido às suas desavenças.

Tudo se vai acontecer esta tarde num Parlamento fechado por férias: Os porta-vozes dos partidos políticos na Câmara dos Deputados vão-se reunir às 19.00 locais (17.00 GMT), enquanto o Senado votará a data no plenário a partir das 18h00 (16h00 GMT).

A votação na Câmara Alta acontece depois dos deputados não terem chegado esta segunda-feira a acordo sobre a data da moção de censura.

Por um lado, os partidos de extrema-direita Liga e Irmãos de Itália, junto ao conservador Forza Italia de Silvio Berlusconi, pressionam para que a moção seja esta quarta, antes do feriado de 15 de agosto, para acelerar a demissão do primeiro-ministro e a convocatória de eleições.

Por sua parte, a esquerda do Partido Democrata (PD), Livres e Iguais (LEU) e o antisistema Cinco Estrelas defendem reunir os senadores a partir de 19 de agosto, uma opção que por enquanto parece a mais provável, pois juntos somam maioria de votos.

Depois de Salvini ter dado a coligação de Governo por quebrada na passada quinta-feira, Conte não se demitiu imediatamente, anunciando que iria ao Parlamento para que a sua queda fosse "transparente" e obrigar assim o líder de extrema-direita a dar explicações.

O desejo de Salvini é provocar a queda de Conte, que este apresente a sua demissão e que o chefe do Estado, Sergio Mattarella, convoque eleições para finais de outubro.

Esta semana, o chefe da Liga, partido ao que todas as investigações colocam como o mais votado, algo já demonstrado nas eleições europeias, vai-se reunir com os conservadores Forza Italia e Irmãos de Itália para forjar uma aliança, segundo a imprensa.

Por outro lado, o antisistema M5S e o seu líder, Luigi Di Maio, querem que, antes da moção, o Parlamento vote já esta semana o seu projeto de lei para suprimir 345 cadeiras, uma das suas reformas mais ambiciosas e desejadas.