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A primeira-ministra britânica, Theresa May, enfrenta esta terça-feira um dia decisivo com a votação no Parlamento do acordo do "brexit", ao qual foram acrescentados vários documentos negociados nos últimos dias entre Londres e Bruxelas.

A Câmara dos Comum vai começar o debate às 12.30 GMT, enquanto a votação é esperada por volta das 19.00 GMT.

A decisão que será tomada pelos deputados vai determinar o caminho do processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), cuja data está prevista para o próximo 29 de março.

Os três últimos documentos negociados podem ser a chave para convencer a influente ala eurocética do Partido Conservador de May e aos deputados do norte-irlandês Partido Democrático Unionista (DUP) a que apoiem o pacto, já que a primeira-ministra precisa do apoio de ambos grupos pois preside um Governo em minoria.

A principal inquietação destes dois grupos reside na salvaguarda irlandesa, que estabelece que o Reino Unido permaneça na união aduaneira e que a Irlanda do Norte também esteja alinhada com certas normas do mercado único até que se acorde uma nova relação comercial entre ambas partes.

A inquietação dos eurocéticos e do DUP é que o Reino Unido fique atado às normas do mercado único caso Londres e Bruxelas não cheguem a um acordo comercial (negociado no período de transição até finais de 2020) após o "brexit".

DOCUMENTOS

Estes são os novos textos que complementam o acordo de saída negociado -não modificado- entre o Reino Unido e a UE.

- Um "instrumento legalmente vinculativo", que deixa claro que a salvaguarda não está projetada para ser permanente.

- Um suplemento acrescentado à Declaração Política (documento separado ao acordo de retirada), pelo qual o Reino Unido e a UE se comprometem a acelerar a negociação sobre a sua futura relação comercial no período de transição.

- Uma "declaração unilateral" do Reino Unido que deixa claro o poder soberano do país para abandonar o mecanismo de salvaguarda se as negociações sobre a futura relação não prosperassem.

DEPUTADOS CHAVE

Estes são os deputados chave para que o acordo, considerado como "melhorado" pela primeira-ministra, saia em frente.

- A ala eurocética do Partido Conservador, cuja principal figura é o influente deputado Jacob Rees-Mogg, que preside o chamado Grupo de Investigação Europeu (ERG, em inglês) e que está formado por cerca de vinte "tories" opostos à integração europeia.

- O Partido Democrático Unionista (DUP) da Irlanda do Norte. O apoio dos dez deputados deste partido pró-britânico será crucial e determinante para que o acordo seja aprovado. Estes deputados tinham manifestado a sua rejeição à possibilidade que a província pudesse ficar atada às normas do mercado único.

PROCESSO

Caso o acordo seja rejeitado esta noite pela Câmara Baixa, o processo do "brexit" vai continuar desta maneira:

Quarta-feira, 13 de março: Os deputados poderão votar sobre se o Reino Unido deve sair da UE sem acordo, mas se esta opção for rejeitada, então haverá outra votação no dia seguinte.

Quinta-feira, 14 de março: A Câmara vai votar prolongar a validade do Artigo 50 do Tratado de Lisboa, em virtude do qual o país devia abandonar a UE a 29 de março, concluído o prazo de dois anos de negociação para a saída.

Este adiamento do "brexit" seria, segundo a primeira-ministra britânica, "curto e limitado".