EFELisboa

Dezenas de milhares de turistas britânicos interromperam as suas férias e abandonam Portugal precipitadamente horas antes do país ficar formalmente excluído da "lista verde" do Governo de Boris Johnson.

O britânicos abarrotam hoje o aeroporto de Faro, na capital do Algarve -o seu principal destino português-, para voltarem as suas cidades de origem antes da madrugada de terça-feira, quando a sanção a Portugal entra em vigor, que na prática os obrigaria a fazer dez dias de quarentena em casa ao regressarem.

O Reino Unido anunciou há três dias que Portugal vai abandonar a lista verde de destinos que não requerem quarentena ao regresso, depois de apenas três semanas nesta.

Várias companhias aéreas habilitaram voos adicionais desde localidades portuguesas, a preços mais elevados, no geral, a fim de satisfazer a procura de imensas pessoas que querem estar em território britânico antes que as medidas aplicadas pelo Governo de Londres no passado dia 3 de julho entrem em vigor às 3h00 GMT de terça.

Mais de 25.000 turistas britânicos deixaram o Algarve durante o fim de semana e outros milhares o farão nas próximas horas, viajando num dos cerca de 400 voos programados hoje em Faro com destino ao Reino Unido, o dobro do habitual.

Os laboratórios da região estão sobrecarregados com a procura de testes PCR e, face a impossibilidade de conseguir marcação a tempo, centenas de britânicos optaram por fazer o teste no aeroporto, colocando as instalações ao limite.

A decisão de Johnson de tirar Portugal da "lista verde" foi um balde de água fria sobre o país luso, que confiava recuperar a atividade turística, especialmente no Algarve, com o mercado britânico.

Os preços dos aviões que ligam o Algarve e o Reino Unido dispararam nas últimas horas e desabam para os voos a partir de quarta.

As tarifas hoteleiras no Algarve também descem a partir desta segunda-feira face aos preços anunciados para estas datas.

O primeiro-ministro português, António Costa, criticou no domingo a "instabilidade" do sistema britânico, que atualiza os destinos a cada três semanas.

"Não podemos ter este sistema de instabilidade de três em três semanas haver aqui alterações, isso não é bom nem para quem planeia as suas férias nem para quem tem de organizar a indústria turística", disse Costa.

O Executivo português considera que "a medida não se justifica" e causa "graves prejuízos, desde logo aos britânicos, que, neste momento, não podem sair sem estarem sujeitos a quarentena para nenhum sítio da Europa, quer também com os danos que causa na economia nacional".

O Reino Unido procura impedir uma terceira vaga da pandemia, ao estar a registar um aumento dos contágios devido à variante Delta, identificada inicialmente na Índia.