EFELisboa

O ministro da Administração Interna de Portugal, Eduardo Cabrita, anunciou esta sexta-feira a sua demissão do cargo depois do seu motorista ter sido acusado de homicídio por negligência no atropelamento em junho deste ano de uma pessoa que acabou por morrer.

"Não posso permitir que esse aproveitamento político, absolutamente intolerável, seja utilizado para punir a ação do Governo, contra o primeiro-ministro ou, inclusivamente, contra o Partido Socialista", afirmou Cabrita em conferência de imprensa.

O atropelamento aconteceu no dia 18 de junho, quando o veículo oficial no qual o ministro viajava percorria a estrada A6, perto da localidade de Azaruja, a 166 km/h. A vítima foi um homem, de 43 anos, que executava trabalhos de manutenção no trecho.

Cabrita garantiu que lamenta "mais do que ninguém essa trágica perda irreparável", mas disse que condena o uso político da situação.

O agora ex-ministro disse que decidiu continuar nas funções desde o acidente devido ao contexto no país com a pandemia e também em retribuição à solidariedade demonstrada pelo primeiro-ministro, António Costa.

Cabrita, de 59 anos, fazia parte do Governo desde 2015, tendo sido, inicialmente, ministro adjunto e, desde 2017, titular da pasta da Administração Interna.

Nos últimos dois anos esteve no centro de vários escândalos, principalmente pela morte de um cidadão ucraniano causada por três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no aeroporto de Lisboa.

O motorista de Cabrita foi acusado formalmente esta sexta-feira pelo Ministério Público de homicídio por negligência, já que viajava numa velocidade acima da permitida.