EFELisboa

Os motoristas de matérias perigosas de Portugal, em greve desde esta segunda-feira, anunciaram hoje que não vão acatar a intervenção legal decretada pelo Governo, que os obriga a trabalhar sob o risco de penas de prisão caso recusarem, e que deixarão de cumprir os serviços mínimos.

"Ninguém vai cumprir nem serviços mínimos nem requisição civil, não vão fazer absolutamente nada", declarou o porta-voz do sindicato dos motoristas, Pedro Pardal Henriques, aos jornalistas.

Pardal Henriques explicou que a decisão pretende ser uma resposta ao Executivo do socialista António Costa, que ontem à noite anunciou que 14 grevistas obrigados a trabalhar por causa da intervenção não tinham cumprido com o requerimento.

Já receberam a notificação 11 deles, que, segundo afirmou em conferência de imprensa o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, "vão ser, naturalmente, investigados", o que pode levar em multas e até penas de prisão.

"Ver representantes do nosso país ameaçar trabalhadores com penas de prisão é uma vergonha. Estes homens, em solidariedade com os seus colegas, não vão sair daqui hoje", advertiu o porta-voz dos grevistas desde Aveiras de Cima, nos arredores de Lisboa, base de operações dos motoristas.

"Se um motorista vai ser aprisionado, então o o senhor ministro tem que trazer vários autocarros para levar também os 800 motoristas do país", acrescentou Pardal Henriques.

Não é a primeira vez que o porta-voz dos grevistas anuncia que não se vão cumprir os serviços mínimos.

Também advertiu segunda-feira, durante as primeiras horas da greve, para depois desdizer-se devido ao efeito causado pelas suas palavras, que levaram à patronal do setor, Antram, a pedir ao Governo que interviesse "urgentemente" na greve, algo que acabou por acontecer no final desse mesmo dia.

O Governo explicou então que tomava a decisão amparado no "descumprimento dos serviços mínimos" que disse ter registado durante a tarde de segunda-feira em várias infraestruturas do país, e apontou que se aplicaria a requisição civil só naqueles lugares nos quais não foram cumpridos.

A requisição civil não implica apenas mobilizar militares para substituir os grevistas, mas obrigar a trabalhar os que sejam necessários para garantir serviços essenciais.

Dado que se trata de um instrumento extremo, o Executivo ressaltou que só o aplicava de forma pontual nas zonas nas quais não se cumpriram os mínimos embora, advertiu segunda-feira, poderia estendê-lo a todo o território caso se comprovasse que os motoristas voltavam a descumprir de forma generalizada.