EFEPequim

Pelo menos 49 pessoas foram detidas na manifestação realizada no domingo no distrito financeiro de Hong Kong, que aconteceu apesar de ter sido proibida pelas autoridades locais.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a Polícia confirmou que os detidos são acusados de fazer parte de uma manifestação ilegal -punido em Hong Kong com entre três e cinco anos de prisão e multas- ou posse de armas ofensivas.

Várias ambulâncias foram vistas a atravessar a região onde manifestantes e agentes antidistúrbios se enfrentavam.

As autoridades tinham autorizado um comício no parque Chater, mas não uma passeata de dois quilómetros, pois considerava-a perigosa, o que não impediu que milhares de pessoas divididas em vários grupos protestassem ao longo de seis quilómetros nas ruas principais da região.

Segundo as forças de ordem pública, os "manifestantes radicais" atacaram os agentes antidistúrbios com tijolos, garrafas de vidro, tinta, e inclusivamente dispararam bolinhas de metal com uma fisga e empurraram um carro em chamas contra os agentes, o que "pôs as suas vidas em perigo".

As autoridades, que asseguram ter apreendido "armas letais" como arcos e flechas, condenaram a atitude dos manifestantes e reiteraram a sua "decisão e capacidade de levar os infratores à Justiça".

Os vários soldados antidistúrbios posicionados nas imediações da esquadra de Wan Chai e da sede do Escritório de Ligação -órgão oficial que representa Pequim em Hong Kong- dispararam várias garrafas de gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Os confrontos entre Polícia e manifestantes foram particularmente tensos durante o dia, como a Efe pôde constatar.

Em outro comunicado à parte, o governo expressou a sua "enérgica condenação" aos atos dos manifestantes "radicais que ignoraram a lei e a ordem e alteraram de forma violenta a ordem pública", ao mesmo tempo que destacou o seu "apoio total à polícia para que volte a instaurar a ordem pública o mais rápido possível".

Os atos têm por objetivo protestar contra a atuação policial nas últimas semanas, já que consideram que as autoridades responderam de maneira excessiva para conter os manifestantes e de maneira muito débil no incidente do último dia 21 no bairro periférico de Yuen Long.

45 manifestantes ficaram então feridos após um ataque de supostos membros das tríades (máfias chinesas). Dezenas de milhares de pessoas fizeram no domingo uma passeata no bairro, também desautorizada, que deixou um saldo de pelo menos 23 feridos e 13 detidos, entre eles um dos organizadores.

Este é um novo capítulo das manifestações que começaram no começo de junho em Hong Kong contra uma controversa proposta de lei de extradição, que levaram a reivindicações mais amplas sobre os mecanismos democráticos do território, cuja soberania a China recuperou em 1997 com o compromisso de manter até 2047 as estruturas estabelecidas pelos britânicos.