EFEGinebra

O diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, advertiu que o mundo está próximo de uma crise económica pior do que a sofrida em 2008, para a qual deve-se preparar com colaboração internacional e mercados abertos, já que "nenhum país é autossuficiente".

"As projeções mais recentes preveem uma recessão acompanhada de perdas de empregos pior do que a produzida pela crise financeira de há 12 anos atrás", disse Azevedo numa mensagem gravada desde a sua casa e publicada na Internet através dos canais oficiais da OMC.

"A COVID-19 ameaça a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, e embora seja acima de tudo uma crise de saúde, a pandemia também terá um impacto inevitável na economia, no comércio, no emprego e no bem-estar", previu o político brasileiro.

Azevedo salientou que muitos governos estão a introduzir medidas de estímulo fiscal e monetário que irão aumentar as defesas contra a recessão, mas ao mesmo tempo há a necessidade de "uma resposta global a uma pandemia global".

"Nenhum país é autossuficiente, por mais poderoso ou avançado que seja", disse, aludindo ao fato de que o mercado internacional deve permanecer aberto em momentos de dificuldade.

O comércio "é o que permite a produção e fornecimento eficiente de bens e serviços básicos, como equipamentos médicos, alimentos e fontes de energia", disse Azevedo, numa altura em que muitos países reduziram ou proibiram a exportação de equipamentos de saúde, temendo que os seus sistemas de saúde fiquem à beira do colapso.

"Quando a crise de saúde começar a diminuir, o comércio permitirá que os países se ajudem mutuamente", assinalou, alertando que "a história não nos esquecerá nem nos perdoará se não ajudarmos aqueles que mais precisam, onde quer que estejam".

A OMC foi uma das primeiras agências internacionais com sede em Genebra a registar casos de coronavírus entre os seus funcionários, obrigando-a a minimizar a sua atividade no início deste mês.