EFEGenebra

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu esta segunda-feira que a maioria da população mundial continua a estar suscetível de contrair o novo coronavírus (SARS CoV-2) e que nas regiões mais afetadas não mais de 20% das pessoas desenvolveu algum tipo de imunidade, embora no geral esta esteja em menos de 10%.

"A OMS apoia plenamente o desejo que os países têm de voltar a pôr-se de pé, de pôr mãos à obra. Precisamente porque queremos a recuperação mundial o mais rápido possível, pedimos aos países que sejam cautelosos", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"Os que avançam com demasiada rapidez, sem ter um andaime de saúde pública capaz de detetar e suprimir a transmissão, correm o risco de afetar a sua própria recuperação", acrescentou.

Tedros inaugurou esta segunda-feira a reunião anual da organização, considerada histórica devido ao contexto de pandemia em que se realiza e que levou à sua realização de forma virtual e abreviada: dois dias com uma agenda centrada no coronavírus.

O responsável da OMS revelou que os resultados dos estudos serológicos em curso em dezenas de países indicam que apenas 10% das suas populações têm anticorpos contra o vírus (até 20% em regiões específicas onde o agente patogénico circulou intensamente).

Estes resultados deixam infundada a posição de alguns especialistas que apostam na imunidade de grupo como forma de travar a pandemia.

Com as autoridades sanitárias de cerca de 200 países a ouvirem o seu discurso à distância, o diretor-geral argumentou que nenhuma das medidas tomadas para limitar a transmissão do coronavírus foi suficiente por si só para fazer a diferença.

Só os países que tomaram medidas combinadas de deteção de casos, rastreio de contactos, isolamento de pessoas infetadas, contenção e promoção da lavagem das mãos obtiveram bons resultados, afirmou.

Por outro lado, o dirigente da OMS assegurou que ele e a sua equipa atuam de forma transparente e apoiam os pedidos de que haja uma avaliação da forma como agiram nas diferentes fases desta pandemia.

Tedros apoiou uma resolução apresentada pela União Europeia na Assembleia Mundial da Saúde, que propõe uma avaliação completa e imparcial das decisões tomadas pela liderança da OMS, que foi publicamente criticada pelo Governo dos EUA pela sua suposta má gestão da pandemia.

"Eu próprio darei início a uma avaliação independente, assim que puder, para examinar as lições aprendidas e fazer recomendações que melhorem a capacidade de resposta às pandemias, a nível nacional e mundial", prometeu Tedros.