EFEGenebra

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou esta quarta-feira que a capacidade da Ómicron de causar danos não deve ser subestimada e que esta não será a última variante do coronavírus a ser detetada.

"A Ómicron pode ser menos grave na infeção que causa num indivíduo, mas isso não significa que cause uma doença leve. Há muitas pessoas à volta do mundo que estão em unidades de cuidados intensivos e em ventilação mecânica, então obviamente não diria que esta é uma doença que pode ser encarada como algo leve", disse o diretor de Emergências Sanitárias da OMS, Mike Ryan, em conferência de imprensa na sede da entidade na Suíça.

Especialistas da OMS pediram a governos e cidadãos que continuem a utilizar todas as ferramentas à disposição para evitar ao máximo possível a propagação da Ómicron, que já se tornou na variante dominante, respondendo por 60% dos casos à escala global.

Com 15 milhões de novos casos, a semana passada foi a com o maior número de contágios desde o início da pandemia, levando em conta que o número pode ser maior devido a subnotificações, ressaltou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na mesma conferência de imprensa.

"Estamos a ouvir duas respostas a esta vaga de casos. Um grupo diz para atirar a toalha e deixar que todos se infetem, e o outro pede máscaras e a continuação da vacinação. Se fizermos a escolha errada, e a primeira é a escolha errada, as pessoas vão pagar as consequências, começando pelos profissionais da saúde e os idosos", disse por sua vez Bruce Aylward, assessor de Tedros.

A OMS explicou que não há "inevitabilidade" escrita em pedra e que as políticas públicas e o comportamento individual têm o poder de mudar o curso da pandemia, para melhor ou para pior.

Aylward e outros especialistas envolvidos na luta contra a pandemia na OMS lembraram que, embora a Ómicron cause um quadro de covid-19 menos grave no geral do que as variantes anteriores, a curva de casos é tão "vertical" que muitos sistemas nacionais de saúde estão sobrecarregados, e as pessoas que sofrem de outras doenças estão a sofrer, pois não estão a receber os cuidados de que precisam.

"É incrível, em 30 anos de trabalho com doenças infeciosas, nunca vimos uma curva pandémica como esta", enfatizou Aylward.

"Outra coisa que temos que lembrar é que a Ómicron não será a última variante. Não sabemos para onde este vírus está a ir. Como já dissemos, quanto mais se replicar como está a fazer, mais provável será que sejamos confrontados com outras variantes mais perigosas", acrescentou.

Sobre a advertência do chefe da OMS para a Europa, Hans Kluge, de que mais de 50% da população do continente vai contrair a variante Ómicron em até dois meses se o ritmo atual de contágios permanecer, a chefe técnica da OMS de luta contra a pandemia, Maria Van Kerkhove, disse que "nada é inevitável" e que a evolução da pandemia dependerá das decisões tomadas em termos de manutenção das medidas de prevenção e contenção.

"Estes são apenas modelos e cenários com os quais trabalhamos", enfatizou.

A OMS também lembrou que a fase aguda da pandemia não pode ser interrompida se o acesso desigual às vacinas continuar. Em África, 85% das pessoas ainda não receberam uma única dose, e o objetivo de ter 70% da população de cada país totalmente vacinada até meados deste ano ainda é incerto.

Por Isabel Saco