EFELisboa

Líderes de direita e esquerda criticaram este domingo o Governo português pela passividade das autoridades para com os excessos dos adeptos ingleses que assistiram à final da Liga dos Campeões no Porto, após uma noite que terminou com um polícia ligeiramente ferido e dois "hooligans" detidos.

Os incidentes ocorridos no Porto são uma "desgraça no meio da luta contra a pandemia", denunciou hoje o líder conservador Rui Rio.

O Governo de António Costa e a cidade do Porto "deviam pedir desculpas aos portugueses, que privados de tantas coisas, assistem a esta vergonha no meio do combate à pandemia", disse na sua conta do Twitter.

Rio referia-se aos múltiplos incidentes envolvendo fãs britânicos que assistiram no Porto à final da Liga dos Campeões, que se saldou com uma vitória do Chelsea contra o Manchester City.

Estima-se que mais de 15.000 simpatizantes de ambas as equipas se tenham reunido na segunda maior cidade portuguesa, tomada pelos adeptos britânicos que lotaram as esplanadas sem máscaras ou respeito por qualquer medida de segurança contra a covid-19.

Desde o Bloco de Esquerda, Catarina Martins considerou "incompreensível" que uma final internacional de futebol seja permitida com o público, mantendo ao mesmo tempo restrições para os portugueses.

Há necessidade de "regras compreendidas por toda a comunidade", disse Martins. "Não é compreensível autorizar uma iniciativa que não seja permitida à generalidade dos cidadãos deste país".

A oposição junta-se assim às muitas vozes que criticaram a passividade das autoridades face à falta de controlo que se verificou no Porto para a Liga dos Campeões e exigiram explicações sobre as razões que levaram a permitir a participação do público num evento da UEFA enquanto as bancadas nas competições nacionais têm estado vazias.

A crítica mais marcante, e uma das mais contundentes, foi a do presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, que apelou à "coerência".

"Não se pode dizer que temos de obedecer às regras, estabelecer um limite e depois que o limite já não é esse", disse no sábado.

O Governo de Costa tinha garantido medidas "extraordinárias" para evitar que a presença de milhares de fãs britânicos no Porto afetasse os protocolos anti-covid.