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A farmacêutica americana Pfizer anunciou esta quarta-feira que uma terceira dose da sua vacina contra a covid-19 pode "estimular fortemente" a proteção contra a variante delta do coronavírus Sars-CoV-2 se comparada ao desempenho das duas doses iniciais, segundo dados preliminares de um estudo.

Ao apresentar novos dados, a empresa comunicou que uma terceira dose produz níveis de anticorpos contra a variante delta cinco vezes mais altos em pessoas com idades entre 18 e 55 anos, e mais de 11 vezes na faixa etária de 65 a 85 anos, em comparação com os níveis da segunda dose.

A Pfizer calcula que essa terceira dose pode potencialmente multiplicar por 100 a neutralização da variante delta em comparação com a vacinação de duas doses, de acordo com o documento, que foi utilizado pela empresa ao expor os resultados financeiros trimestrais.

Segundo explicaram representantes da empresa em conferência de imprensa, a Pfizer acredita que é "provável que seja preciso uma terceira dose potencializadora entre seis e 12 meses depois da vacinação completa para manter altos níveis de proteção" contra a covid-19.

O estudo, que está em desenvolvimento e ainda não foi revisto por pares, também parece indicar que uma terceira dose aplicada pelo menos meio ano após a segunda é bem tolerada e gera altos níveis de anticorpos para o coronavírus original e para a variante beta (detetada inicialmente na África do Sul).

A Pfizer disse no início deste mês que pretendia solicitar a aprovação da americana Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) para fornecer uma terceira dose pelo menos meio ano após a segunda dose da vacina que desenvolveu com a empresa alemã BioNTech.

"As empresas esperam divulgar dados mais definitivos sobre a análise e todos os dados acumulados serão compartilhados como parte das discussões em curso com a FDA, a Agência Europeia do Medicamento e outros reguladores nas próximas semanas", disse a farmacêutica em comunicado.

O diretor-executivo da Pfizer, Albert Bourla, disse à emissora de televisão americana "CNBC" que a empresa também produziu um estudo que demonstra que a eficácia da sua vacina de duas doses contra o coronavírus cai para 84% quatro a seis meses após a administração.

Especificamente, a sua eficácia máxima é de 96,2%, que é atingida entre uma semana e dois meses após ser recebida. O número cai em média 6% a cada dois meses, diz o estudo, que ainda não foi revisto e envolveu 44 mil pessoas nos EUA e em outros países.

Bourla também observou que enquanto a vacina inicialmente protege contra a internamento hospitalar por coronavírus em 100%, essa taxa cai para cerca de 90% seis meses após a inoculação da segunda dose.