EFELisboa

Portugal, onde a situação da pandemia é "ligeiramente crescente", com os contágios diários em máximos de mais um mês, vai orientar a sua estratégia de vacinação à libertação da economia, depois de ter conseguido a proteção dos idosos e setores essenciais.

"A estratégia, a partir de agora, vai ser uma estratégia mais virada para libertar a economia, porque a estratégia que tinha a ver com a proteção das pessoas mais idosas e a resiliência já está praticamente terminada e, portanto, conseguida", explicou o coordenador da vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, durante uma reunião das autoridades sanitárias com o Governo português e epidemiólogos.

No encontro, destinado a avaliar o avanço da pandemia, Gouveia e Melo assinalou que mesmo assim existe preocupação com alguns "nichos" nos quais o processo ficou atrasado, como os idosos acamados -apenas se vacinou metade- ou comunidades isoladas geograficamente, cuja vacinação implica um trabalho mais difícil.

Atualmente, cerca de 17% da população portuguesa, incluindo os arquipélagos da Madeira e Açores, tem a vacinação completa.

Caso se acrescentam os que receberam a primeira dose, a percentagem sobe a 36,5%.

Estas percentagens já se fazem notar nos números de falecidos e hospitalizados, que sofreram uma descida significativa em Portugal. Contudo, dois meses e meio depois do começo do desconfinamento, os contágios e incidência estão a crescer, o que preocupa as autoridades.

PANDEMIA "LIGERAMENTE CRESCENTE"

Portugal está "numa fase ligeiramente crescente", reconheceu durante a reunião a ministra da Saúde, Marta Temido, que referiu que, à exceção no Norte e no Algarve, a transmissão Rt nas regiões está acima do limite de 1.

Esta sexta-feira as autoridades sanitárias notificaram 598 infeções, máximo diário desde 22 de abril, e uma morte, com um leve aumento nos hospitais, onde estão 246 internados (+13), 52 destes nos cuidados intensivos.

A incidência de 14 dias ao nível nacional voltou a crescer: passou de 57,8 para 59,6 casos por 100.000 habitantes, enquanto o índice Rt se manteve em 1,07.

Dentro do conjunto do país existem situações "mais preocupantes" que inspiram "maior prudência", tais como alguns municípios da região de Lisboa e Vale do Tejo, indicou a ministra.

A cidade de Lisboa foi colocada esta quinta-feira na lista de municípios em alerta por exceder uma incidência de 120, o que significa que, se não melhorar os seus números, poderá regressar a uma fase anterior do processo de desconfinamento.

As novas variantes são também motivo de preocupação. A britânica levou Portugal a uma duríssima terceira vaga no início do ano, e agora começou a ser detetada a indiana, que representa 5% dos casos comunicados em maio.

O Governo português ainda não finalizou as medidas que serão aplicadas durante este verão, que deverão ser decididas em breve em conselho de ministros.