EFELisboa

Os Governos de Portugal e Espanha apostam pelo reforço da cooperação para ultrapassar a crise pós-COVID e descartam um novo fecho da fronteira comum, tal como asseguraram esta sexta-feira desde Lisboa os ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos países.

"Não se trata de fechar fronteiras nesta nova fase do vírus, trata-se de responder de uma maneira cirúrgica para evitar que estes novos surtos se tornem num problema para os nossos sistemas de saúde", afirmou a ministra espanhola dos Assuntos Exteriores, Arancha González Laya.

"Não estamos na situação em que estávamos no mês de março", ressaltou, e "o que aprendemos é que com medidas mais pontuais, que incidem de uma forma mais decidida onde há um problema de transmissão comunitária, podem-se manter as fronteiras abertas e a liberdade de circulação da maioria dos cidadãos enquanto se protege a sua saúde".

"Estamos a gerir esta nova fase de forma responsável", enfatizou a ministra, que ressaltou que mais de 50% dos infetados com COVID são agora assintomáticos e que a taxa de letalidade em Espanha está nesta fase em 0,4%, enquanto no início da pandemia era de 8%.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, salientou que a Europa se encontra numa fase muito diferente à do início da pandemia.

"É muito importante que na Europa tenhamos a noção de que fecharmo-nos não é como vamos resolver este problema comum da pandemia, pelo contrário, será através da cooperação entre nós e fazer o que temos que fazer ao nível dos poderes públicos, que é manter e aumentar a capacidade de resposta dos nossos sistemas sanitários e sensibilizar os nossos concidadãos".

Ambos ministros estiveram esta sexta reunidos em Lisboa para ultimar os detalhes da Cimeira Ibérica prevista para os próximos dias 2 e 3 de outubro na cidade portuguesa da Guarda.

Uma cimeira que "procura dar resposta a todos estes apelos que recebemos de empresários, cidadãos, comunidades autónomas, autarquias, de ambos lados da fronteira, que nos pedem um ênfase na recuperação económica e social depois da crise", assinalou a ministra espanhola.

"Queremos investir de forma muito decidida para impulsionar a transformação económica e social das nossas regiões fronteiriças", acrescentou.

"A recuperação económica e a cooperação bilateral serão o tema central da cimeira", resumiu Santos Silva, que evitou aprofundar no conteúdo do encontro binacional, avançando apenas que o tema das ligações ferroviárias -em especial o regresso ao ativo da linha Lisboa-Madrid feita pelo comboio "Lusitânia"- está na agenda.

Ambos ministros destacaram que a cooperação ibérica vai mais além dos projetos para impulsionar as zonas transfronteiriças, como foi demonstrado com a estreita colaboração mantida para repatriar cidadãos de ambos países durante a pandemia.

Além disso, segundo recordou o ministro português, Espanha é o principal cliente e o principal fornecedor de bens de Portugal, enquanto que o país luso é o sétimo mercado para o seu vizinho.

A da Guarda vai ser a 31ª cimeira bilateral de alto nível realizada por Espanha e Portugal e teve que ser reprogramada nos últimos meses dado o avanço da pandemia.