EFELisboa

Portugal vive este sábado o dia de reflexão antes das eleições municipais que se vão realizar domingo sob o fantasma da abstenção e com a condição de ser o primeiro exame político da etapa pós-covid.

O ato eleitoral encontra o país com mais de 85% da população imunizada e a pandemia sob controlo, o que permitiu ao Governo do socialista António Costa anunciar, em vésperas de comícios, o levantamento das restrições impostas pela pandemia.

Apesar deste avanço, a sombra da abstenção -que nas últimas municipais, em 2017, chegou a 45%- planeia sobre a consulta que, segundo as sondagens, será ganha pela esquerda -encabeçada pelos socialistas-.

MUNICIPAIS EM NÚMEROS

Ao todo, são chamados a votar 9,3 milhões de eleitores para renovar 308 autarquias e órgãos municipais numas eleições que se realizam a cada quatro anos.

Cerca de vinte partidos participam na corrida, embora apenas um punhado tenha representação nacional:

- Partido Socialista (PS): Liderado por António Costa, primeiro-ministro desde 2015. O mais votado nas municipais de 2017, controla 161 autarquias. Parte com vantagem para domingo.

- Partido Social Democrata (PSD): Conservador. Arrasta uma crise latente sob a liderança de Rui Rio. Em 2017 conseguiu os seus piores resultados. O seu principal aliado é o democrata-cristão CDS-PP.

- Bloco de Esquerda (BE): Marxista e parceiro de Costa na sua primeira legislatura, a chamada "geringonça".

- Partido Comunista Português (PCP): O mais ortodoxo dos partidos comunistas europeus. Também parceiro da "geringonça". Aliado dos Verdes do PVE e castigado nas urnas em 2017.

- Chega: Extrema-direita. Fundado em 2019 por André Ventura, que chegou a ser o terceiro candidato mais votado nas presidenciais de janeiro, arrebatando votos em tradicionais zonas comunistas, como o Alentejo.

O JOGO NEGACIONISTA

São poucos, mas nas últimas semanas fizeram bastante ruído. Os negacionistas portugueses querem aproveitar a jornada eleitoral para castigar os políticos. Convocaram uma manifestação no centro de Lisboa e pedem a abstenção.

Oferecem caldo verde a quem se juntar ao protesto, que será acompanhado de perto pela polícia portuguesa.

Apesar do apelo culinário, é pouco provável que a mobilização, organizada através das redes sociais, tenha um impacto nas eleições.

Há algumas semanas, os grupos anti-vacinas endureceram a sua mensagem e passaram à ação com insultos ao coordenador do grupo de trabalho que monitoriza o programa de vacinação, o vice-almirante Gouveia e Melo, a um juiz e ao presidente do parlamento.

O seu discurso tem pouco volume em Portugal, líder dos países com maior população imunizada -mais de 85%- que hoje celebra o controlo de uma pandemia que já deixou mais de 18.000 vítimas mortais.

A DIREITA NO SEU LABIRINTO

As municipais chegam num bom momento para os socialistas de Costa, dispostos a aproveitar a vantagem que as sondagens lhes concedem: a força mais votada.

À esquerda, os seus antigos parceiros -Bloco e PCP- lutam por recuperar terreno perdido. À direita, uma oposição dividida facilita o avanço socialista.

A crise interna no PSD, principal partido da oposição, deve resolver-se nestas eleições. O seu questionado líder, Rui Rio, anunciou que dará um passo atrás se não conseguir um salto eleitoral. As sondagens não o favorecem.

O seu principal aliado, o CDS, aposta por alianças para ganhar espaço.

Ventura, à frente do partido de extrema-direita Chega, antecipa surpresas confiado num aumento do apoio conseguido em janeiro como candidato presidencial -12% de votos que o colocaram em terceiro lugar entre os candidatos-.

VOTAR COM O BOLSO

São muitas as promessas que os portugueses ouviram nas últimas semanas, mas alguns partidos passaram à ação e tocaram diretamente nos seus bolsos.

Neste ano eleitoral, as descidas de impostos e taxas locais bateram recordes. 39% dos municípios do país baixaram impostos às famílias e empresas, segundo um estudo do jornal Expresso.

Na liderança desta "campanha de saldos" estão as autarquias de PSD e CDS. Os mais relutantes foram as governadas pelo Partido Comunista.

Este domingo vai-se conhecer quanto pesa o bolso no voto dos portugueses.

Por Mar Marín