EFELisboa

O Governo português confirmou hoje o primeiro caso de uma pessoa infetada por coronavírus no país, um homem que esteve no norte de Itália de férias.

Além disso, outro homem que viajou recentemente a Espanha por trabalho deu positivo numa primeira análise, esperando-se agora o resultado de um novo exame para confirmar o seu diagnóstico.

Os dois homens, de nacionalidade portuguesa, encontram-se internados em hospitais do Porto, no norte do país, e o seu estado é "estável", informou em conferência de imprensa a ministra da Saúde, Marta Temido.

Trata-se da primeira confirmação de coronavírus em Portugal, que já tinha anunciado que dois dos seus cidadãos tinham dado positivo para o vírus a bordo do cruzeiro Diamond Princess, atracado ao sul de Tóquio.

Segundo detalhou a ministra, o infetado é um médico de 60 anos que esteve de férias "na zona norte de Itália" e que apresentou os primeiros sintomas este sábado, embora o seu estado de saúde seja "bom".

A respeito do caso que espera confirmação, sabe-se que é um homem de 33 anos que esteve há uns dias em Valência e que sentiu os primeiros sintomas no passado dia 26 de fevereiro.

Ambas situações conhecem-se após as autoridades portuguesas terem aumentado este fim de semana a vigilância depois de se saber que o escritor chileno Luis Sepúlveda, que na semana passada esteve em Portugal, foi internado no norte de Espanha por coronavírus.

A Direção Geral de Saúde (DGS) informou este domingo que está em contato com as autoridades espanholas e procura todos os contatos próximos que o chileno realizou em Portugal, onde participou no festival literário Correntes d'Escritas da Póvoa de Varzim (norte).

As autoridades procuram contactar os assistentes -especialmente os que tiveram contacto direto com Sepúlveda- para saber se há mais sintomas, e já há pelo menos 20 pessoas relacionadas com o evento em quarentena, principalmente trabalhadores da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e funcionários do festival.

A busca, contudo, não se dá por concluída, e pede aos que estiveram com Sepúlveda e a sua esposa -com sintomas mas sem diagnóstico confirmado- a menos de um metro de distância, em espaços fechados ou no mesmo carro, que tenham convivido com eles ou que lhes tenham prestado cuidados médicos que se ponham em contato com as autoridades.

"(Parece que) terá chegado a Portugal já com sintomas", disse hoje à imprensa o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que se mostrou prudente porque a investigação sobre as circunstâncias de Sepúlveda está ainda em curso.

Uma questão que caso se confirme "marcaria a diferença" porque, recordou, os dois casos dados a conhecer hoje têm Itália e Espanha como origem do contágio, o que significa que não se identificou ainda um surto procedente de território português.

Por isso, o presidente apelou à calma e apontou que ter casos está dentro da normalidade europeia.

"É a chamada notícia esperada há muito tempo. Era de estranhar que tendo casos em tantos países da Europa não houvesse nenhum em Portugal", comentou Rebelo de Sousa.