EFELisboa

Mais de 1,2 milhão de alunos entre os seis e os dezoito anos regressam às aulas esta semana em Portugal, onde o ano letivo se apresenta mais um ano carregado de medidas para enfrentar o coronavírus mas com a esperança de que seja mais fácil do que os anteriores.

Parte das escolas públicas do país abriram esta terça-feira e as restantes deverão fazê-lo ao longo da semana para um ano letivo em que se prevê que não haja mais confinamentos que deixem as crianças novamente em casa, como aconteceu no ano passado.

"Se não houver confinamento, penso que será um ano normal", diz Raquel, mãe que acompanha o filho de 9 anos a uma escola situada no bairro lisboeta das Amoreiras, à Agência EFE, acrescentando que confia que "vai ser mais fácil do que no ano passado".

É a esperança dos pais, que viram as escolas fecharem durante meses nos últimos dois anos letivos. Em 2020, devido à chegada da pandemia, e em 2021, quando a terceira vaga fez o país e o seu sistema sanitário colapsarem.

Mesmo assim, sabem que a situação pode ser imprevisível. "Há muitas coisas que podem acontecer, alguma variante que apareça... Nunca se sabe", diz Sofia, mãe de uma menina de 6 anos.

MAIS UM ANO COM MÁSCARA

O regresso às aulas em Lisboa começou chuvoso e os guarda-chuvas e impermeáveis foram a norma nos portões das escolas, onde a máscara facial já se tornou numa imagem habitual de cada manhã.

Este ano as crianças ainda não poderão esquecê-la. A Direção-Geral da Saúde (DGS) mantém o seu uso obrigatório a partir dos 10 anos nas escolas e como "fortemente recomendada" para os maiores de 6 anos.

Entre os pais predomina a ideia de que a máscara ajuda a proteger, mas no caso das crianças mais pequenas existem diferentes opiniões.

"Realmente, para crianças com menos de doze anos deixa-me um pouco desconfortável, estarem o dia todo com isso. Espero que a máscara desapareça gradualmente", diz Joan, mexicano que vive em Lisboa e pai de dois filhos de seis e nove anos.

Sofia, contudo, argumenta que também devia ser obrigatório para os mais pequenos. "A minha filha tem seis anos e ainda usa máscara, porque no ano passado estava nos Estados Unidos, os alunos usaram sempre e não houve qualquer interrupção ou caso na sua turma", conta.

O avanço da vacinação, diz, será outra ajuda para um ano melhor.

ADOLESCENTES EM PLENO PROCESSO DE VACINAÇÃO

Em Portugal, 75% dos menores de doze anos já receberam a primeira dose e este mês vão receber a segunda, um avanço que as autoridades esperam que ajude a reduzir os casos nas escolas.

Entre os professores e o pessoal não docente, a taxa de imunizados com o calendário completo é de 99%.

Mesmo assim, todos os trabalhadores e alunos a partir dos 12 anos ou mais serão testados no início do ano letivo.

Os sindicatos pedem mais. "Há uma regra que não foi aplicada e que devia, a redução de alunos por turma", denunciou esta semana o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, que também assinalou que há falta de professores e de trabalhadores.

A falta de preparação tecnológica parece ser outro dos assuntos pendentes, e ainda se espera pela universalização da escola digital anunciada pelo Governo.

Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas divulgada este verão, apenas 40% dos computadores prometidos pelo Governo chegaram às escolas.

Portugal acumula 1.056.042 casos confirmados e 17.866 mortes devido à pandemia, mas a situação estabilizou-se: a taxa de incidência de 14 dias caiu para pouco mais de 200 casos por 100.000 habitantes, e na segunda-feira foram registadas 458 novas infeções e cinco mortes, os valores mais baixos desde julho.

Por Paula Fernández