EFELisboa

As autoridades portuguesas deram hoje por controlado o incêndio rural de Oleiros, no centro do país, o mais grave neste verão, marcado nos últimos dias por altas temperaturas que obrigaram a uma nova aplicação do estado de alerta, pelo menos até terça-feira.

As chamas do município de Oleiros, que se chegaram a estender às localidades próximas de Sertã e Proença-a-Nova, foram controladas ao início desta manhã, mas permanecem no terreno cerca de 850 bombeiros apoiados por 270 veículos de extinção terrestre e dois meios aéreos.

O seu trabalho é agora de "consolidação" para evitar reativações e a extinção das chamas, explicou em conferência de imprensa Luís Belo Costa, comandante local da Proteção Civil.

"Há muito trabalho pela frente, na medida em que é um terreno extraordinariamente grande e complexo devido à orografia", detalhou Belo Costa, que estima que arderam cerca de 6.000 hectares.

O comandante alertou que a situação, embora controlada, "merece muita atenção", especialmente "nas zonas onde foi dominado mais tarde", perto de Proença-a-Nova e Castelo Branco, e ressaltou que "é natural que haja algumas reativações".

A mudança na direção do vento e uma ligeira descida das temperaturas registadas durante a noite foram determinantes para considerar as chamas, que começaram no sábado, como dominadas.

O avanço do fogo obrigou a evacuação parcial de três aldeias próximas no domingo, embora não tenha havido risco para a população, segundo o comandante, que disse não ter conhecimento de danos nas casas.

As condições do terreno, com pequenas aldeias rurais, gerou preocupação às autoridades, que consideravam que o potencial de evolução do incêndio era "enorme" e inclusivamente poderia não estar dominado até terça.

O incêndio de Oleiros causou a morte de um bombeiro -falecido no sábado num acidente do veículo de extinção no qual viajava- e sete feridos.

Face à situação não só nesta zona como no conjunto do país, onde houve ao mesmo tempo outros seis incêndios ativos, o Governo avançou domingo com a proibição de todos os trabalhos rurais -à exceção do combate a incêndios e alimentação de animais- até pelo menos à meia-noite de terça-feira.

Esta medida foi tomada depois de se comprovar que "grande parte" dos incêndios dos últimos dias eram "evitáveis", tendo sido provocados por atividades como churrascos ou trabalhos agrícolas, explicou o ministro da Administração Interna.

Além disso, foi declarado a situação de alerta desde a meia-noite desta segunda-feira até ao final de terça, devido ao "significativo agravamento do risco de incêndio rural" devido às previsões meteorológicas, informou em comunicado o gabinete do ministro da Administração Interna.

Durante esta segunda-feira, o risco de incêndio é máximo em oito dos 18 distritos de Portugal continental, a maioria no interior do país, sempre mais castigado pelos incêndios.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, reconheceu este domingo em declarações à imprensa no Algarve que a pandemia de COVID-19 afetou os trabalhos de prevenção de incêndios este ano.

"A prevenção sofreu com a pandemia. Os meses que eram cruciais, de transição de primavera ao verão, acabaram por não existir", disse.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê para as próximas 48 horas tempo "quente e seco" no interior do país, assim como vento forte na costa e nas zonas altas.