EFELisboa

Portugal vai-se tornar na ponte entre a Europa e a Ásia após juntar-se à nova Rota da Seda com a assinatura de um acordo assinado hoje durante a visita do presidente da China, Xi Jinping, que constatou o bom estado das relações bilaterais.

A três meses do 40º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e China, ambos países selaram o seu compromisso para reforçar a cooperação com dezassete acordos bilaterais em âmbitos como a economia, comércio, ciência ou cultura.

O mais importante -que já tinha sido antecipado pelo primeiro-ministro luso, o socialista António Costa-, foi o memorando de entendimento para integrar Portugal na nova Rota da Seda, um mega projeto de infraestruturas para ligar a China com os seus vizinhos asiáticos e o resto dos continentes.

O porto de Sines, o maior de Portugal, fará parte desta iniciativa para promover a "conectividade sustentável" entre a Europa e a Ásia em setores como os transportes -especialmente o desenvolvimento de conexões estratégicas diretas por via aérea, terrestre e marítima-, a energia e o comércio livre.

Com o projeto, Portugal e a China reafirmaram também "o interesse em fomentar a cooperação com países terceiros, em regiões como África e América Latina", segundo se recolhe na declaração conjunta assinada ao final da visita no Palácio de Queluz, a uns 15 quilómetros de Lisboa.

Na cerimónia em Queluz, presidida por Xi Jinping e por Costa, foram assinados outros dezasseis acordos que constataram que as relações bilaterais estão "no seu melhor momento histórico", segundo afirmou o próprio presidente da China.

"Vamos aprofundar a amizade e cooperação e levar a nossa colaboração estratégica global a um novo nível", disse Xi, que assegurou que "apesar do mundo atual enfrentar problemas e desafios, a China irá aderir sempre ao início de respeito mútuo".

Por sua parte, Costa realçou a "relação de confiança" que une os dois países, "fundada em mais de cinco séculos de convivência" em Macau, antiga colónia portuguesa cuja administração foi devolvida à China em 1999.

Na declaração conjunta, Portugal e a China manifestaram o seu apoio a uma "economia mundial aberta", repudiaram "todas as formas de protecionismo e unilateralismo" e defenderam a proteção dos direitos humanos.

Além disso, expressaram o seu apoio à reforma do Sistema das Nações Unidas e aos esforços realizados neste âmbito pelo secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

Entre os outros acordos assinados destacam-se outro memorando sobre cooperação em matéria de comércio de serviços e vários pactos para a realização de festivais culturais e atividades sobre ciência e tecnologia.

Também há acordos para a produção conjunta de documentários, a criação de um laboratório de investigação avançada nos domínios do mar e espaço e um protocolo entre o Banco da China e a estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD) sobre emissão de "panda bonds" -dívida em iuanes-.

Além disso, subscreveram-se memorandos de entendimento empresarial entre Energias de Portugal (EDP) e o seu principal acionista, a China Three Gorges -que lançou uma opa sobre a companhia- e entre a State Grid e a Redes Energéticas Nacionais (REN, da qual possui 25% do capital).

O Banco Comercial Português (BCP), um dos maiores do país, assinou um acordo que o tornará na primeira entidade europeia a expedir cartões da chinesa UnionPay, e Huawei e a lusa MEO selaram um acordo para cooperar no desenvolvimento da tecnologia 5G.

Xi finaliza hoje a sua visita de dois dias a Portugal, a primeira de um chefe de Estado chinês desde 2010, na qual também se reuniu com o presidente luso, Marcelo Rebelo de Sousa, e o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Paula Fernández