EFELisboa

As primeiras horas das eleições municipais em Portugal deixam poucas filas e uma afluência inferior à de há quatro anos, embora os portugueses não acreditem que a pandemia seja já um fator determinante no país, com uma elevada taxa de vacinação e prestes a levantar a maioria parte das restrições.

Apenas 20,94% dos mais de 9,3 milhões de cidadãos chamados a decidir o futuro dos seus municípios foram às urnas nas primeiras quatro horas de votação, até ao meio-dia, abaixo do 22,1% em 2017.

A abstenção final chegou então a 45%, pelo que os augúrios, por enquanto, não são bons.

No centro de Lisboa, a votação foi rápida em muitas mesas de voto, onde quase não havia filas de espera apesar do dia de sol.

PANDEMIA QUASE ESQUECIDA

Com 85% da população portuguesa com a vacinação completa e o recente anúncio do primeiro-ministro, o socialista António Costa, de que a maioria das restrições será levantada, os portugueses não acreditam que a pandemia tenha um efeito importante na afluência às urnas.

"A cidade tem vida normal, por isso não é um grande obstáculo. Acho que se as pessoas não vêm votar é mais por causa de uma insatisfação geral com outras situações", disse Pedro Martins à Agência EFE antes de votar no bairro de Santa Maria Maior.

Teresa Almeida, que vota em Santo António, outro bairro central da capital tem a mesma opinião: "As pessoas já se habituaram a ir aos sítios com máscara e a tomar precauções".

"Temos um défice de democracia, as pessoas não sabem o que é votar, não compreendem porque vêm votar e por vezes há muita abstenção", acrescenta a eleitora.

No mesmo bairro, outro eleitor, Pedro Costa, explica que dentro da mesa de voto todos cumprem as regras de segurança contra o coronavírus e lamenta que a afluência às urnas possa ser baixa.

"Penso que as pessoas devem levar estas eleições a sério, há muito em jogo, não só para as autarquias locais mas também ao nível político nacional", diz.

Nas mesas de voto, os eleitores devem ir de máscara, usar a sua própria caneta para marcar o seu voto nas cédulas, se possível, e manter uma distância social em relação a outras pessoas.

Cada vez que alguém usa uma cabina de voto, um empregado desinfeta-a antes da chegada da próxima pessoa.

APELO AO VOTO

Os principais candidatos e figuras políticas do país foram votar durante a manhã e com uma mensagem em comum: apelo ao voto.

"É um momento particularmente significativo na vida do país, por isso há um dever acrescido de que todos participemos", disse Costa, cujo partido se destaca nas urnas como vencedor destas eleições.

O presidente, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou que as autarquias serão responsáveis ​​por "gastar grande parte do dinheiro do orçamento e dos fundos europeus" para fazer frente à situação económica e social após a pandemia, pelo que considera "difícil de entender" haver pessoas que não votem.

As sondagens preveem uma vitória socialista ao nível nacional e continuidade nas principais cidades, com a reeleição dos autarcas de Lisboa, o socialista Fernando Medina, e do Porto, o independente Rui Moreira.

As urnas, onde será decidido o destino de 308 municípios, estarão abertas nestas eleições uma hora a mais do que o habitual.

As primeiras projeções de resultados serão conhecidas a partir das 21h00 (20h00 GMT), com o fecho das urnas no arquipélago dos Açores.