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O presidente de Itália, Sergio Mattarella, continua hoje com as consultas para tentar procurar uma saída à crise política após a ruptura da coligação de governo e a demissão do primeiro-ministro, Giuseppe Conte, na terça-feira.

Mattarella começou a receber os líderes dos principais partidos com representação parlamentar para decidir se é possível formar um governo ou é preciso ir a eleições, depois de consultar ontem com os presidentes das duas câmaras e com os grupos minoritários.

A primeira a ir hoje ao Quirinale foi a líder do partido ultraconservador Irmãos de Itália, Giorgia Meloni, que comunicou a Mattarella a sua posição de que "as eleições são inevitáveis", segundo disse depois à imprensa.

"São a única saída possível, respeitosa com Itália e com a Constituição", disse Meloni, que advertiu contra a possível formação de um governo de esquerda entre o antisistema Movimento 5 Estrelas (M5E) e o Partido Democrático (PD), que já estão a sondar tal possibilidade e contam com maioria parlamentar.

"Um governo que tenha maioria no parlamento mas não responda ao consenso dos cidadãos é uma falta de respeito", acrescentou Meloni, em referência a todas as sondagens que dão uma vitória ao partido de extrema-direita Liga de Matteo Salvini, que o Irmãos de Itália apoiaria.

"No último ano, a centro-direita ganhou todas as eleições", ressaltou Meloni, afirmando ainda que "caso se vote, haverá uma equipa entre o Irmãos de Itália e a Liga, e vamos ver o que o Forza Itália faça, e certamente já haveria uma maioria".

Mattarella vai também receber esta manhã os líderes do PD (centro-esquerda) e do Forza Itália (centro-direita), e retomará as suas consultas pela tarde com a delegação da Liga de Matteo Salvini e com o M5E de Liugi di Maio, o grupo mais numeroso no Parlamento após ganhar as eleições de 2018 com 33%.

Salvini, que provocou esta crise a princípios de mês ao dar por a coligação entre o seu partido e o M5E por terminada, já anunciou que vai informar ao presidente que a Liga quer "eleições imediatas".