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O presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, minimizou esta quarta-feira o grave ataque perpetrado há uma semana pelo grupo jihadista Al Shabab contra a cidade costeira de Palma, na província nortenha de Cabo Delgado, que se saldou com dezenas de mortos e milhares de deslocados.

"Todo o mundo sabe que no dia 24, há quase uma semana, houve outro atentado, desta vez em Palma. Não foi o maior dos muitos que tivemos, mas tem o impacto de ter acontecido numa zona da periferia dos projetos (de gás) em andamento nessa província", afirmou Nyusi durante um ato de inauguração de um escritório da Segurança Social em Maputo.

"Não percamos o foco. Não fiquemos atrapalhados, vamos abordar o inimigo como temos estado a abordar, com alguma contenda, como as Forças de Segurança o estão a fazer, porque a falta de concentração é o que os nossos inimigos internos e externos querem", disse o presidente, comandante das Forças Armadas, nas suas primeiras declarações em público desde o ataque.

A ofensiva do Al Shabab aconteceu a cerca de dez quilómetros das instalações fortificadas da Total na península de Afungi e afetou mais de mil trabalhadores em várias infraestruturas à volta do milionário Projeto LNG, liderado pela companhia petrolífera francesa, que envolve a construção de uma instalação de liquefação de gás natural para várias jazidas.

Um dos requisitos exigidos pelas companhias petrolíferas que irão explorar o gás natural existente na área foi a existência de um perímetro de segurança de 25 quilómetros à volta do Projeto LNG.

Nyusi não comentou as manifestações de disponibilidade de apoio militar de vários países com interesses em Moçambique para combater os terroristas.

"Vamos lidar com o inimigo como temos estado a lidar", disse.

O Exército moçambicano admitiu ontem que ainda não controla a cidade e, de acordo com o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), a situação permanece "tensa" e com "combates e confrontos esporádicos".

Palma é uma cidade perto de grandes projetos de gás, um dos principais nas mãos da Total, que decidiu suspender as operações que planeava retomar esta semana na zona.

A crise humanitária em Moçambique cresce à medida que os jihadistas queimam aldeias inteiras, decapitam pessoas, incluindo crianças, e cometem outros crimes, advertiu a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no passado dia 22 de março.

Os Estados Unidos designaram recentemente o Al Shabab como uma "organização terrorista internacional" afiliada ao Estado Islâmico, que esta semana reivindicou a responsabilidade pelo atentado de Palma.